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Apresentação de memoriais: o que significa e qual o prazo?

Apresentação de memoriais: o que significa e qual o prazo?

Os memoriais são as alegações finais apresentadas por escrito. Eles representam um dos momentos mais estratégicos e decisivos dentro de um processo judicial, funcionando como a peça final que amarra todos os argumentos apresentados. 

Este documento permite que se organizem as provas e os fundamentos jurídicos com calma, garantindo que nenhum detalhe importante passe despercebido pelo magistrado antes da decisão.

Neste artigo, você entenderá detalhadamente o que são esses documentos, qual o significado real de apresentá-los e como os prazos funcionam em diferentes esferas do Direito, como a cível e a penal. 

Além disso, você aprenderá a estruturar essa peça de forma eficiente para aumentar as chances de sucesso. Para entender como garantir que uma tese de defesa ou acusação seja compreendida pelo juiz sem lacunas, continue a leitura e domine este importante instrumento processual.

O que são memoriais?

Os memoriais são a peça processual que contém as alegações finais por escrito. Eles substituem o debate oral que ocorreria ao fim de uma audiência, permitindo uma exposição mais detalhada dos argumentos.

Este documento é utilizado quando a causa apresenta alta complexidade ou um grande volume de provas. Em vez de falar sob pressão, o advogado organiza as teses jurídicas com calma e precisão técnica.

O objetivo principal é reavivar a memória do magistrado sobre tudo o que foi construído ao longo da lide, destacando depoimentos de testemunhas e documentos cruciais. Ao redigir os memoriais, o advogado tem a chance de filtrar o que realmente importa e apresentar uma narrativa coesa que aponte diretamente para o resultado desejado na sentença.

O que é apresentação dos memoriais?

A apresentação dos memoriais é o ato de protocolar esse documento no sistema judicial. Ela ocorre em um momento específico da linha do tempo processual: logo após o encerramento da fase de instrução.

Na prática, isso acontece depois que todas as testemunhas foram ouvidas e as perícias concluídas. É a última oportunidade formal para as partes se manifestarem antes que o juiz escreva a decisão final.

Ao protocolar os memoriais, as partes garantem que o princípio do contraditório seja respeitado. É o fechamento do debate, assegurando que o magistrado decida com base no resumo fiel de todos os fatos narrados.

O que significa apresentar memoriais em um processo?

Do ponto de vista estratégico, a solicitação de memoriais significa que o juiz reconhece a densidade do caso. Ele entende que uma decisão imediata, logo após a audiência, poderia ignorar detalhes vitais.

Para o advogado, esse momento significa a chance de “limpar” o processo de ruídos e informações irrelevantes. É a oportunidade de guiar o olhar do magistrado para os pontos de prova que realmente definem o resultado.

Apresentar memoriais significa, portanto, exercer o poder de influência final sobre o convencimento do julgador. É o roteiro lógico que você entrega ao juiz para que ele tenha segurança ao redigir uma sentença favorável.

O que acontece depois da apresentação dos memoriais?

Após a apresentação dos memoriais pelas partes, o processo segue para que o juiz profira a sentença final. Como esta é a última etapa da fase de conhecimento, não há mais produção de provas ou novos depoimentos. 

O magistrado fará a leitura atenta dos memoriais entregues pelo autor, pelo réu e, quando necessário, pelo Ministério Público, utilizando esses argumentos como base para fundamentar o seu veredito e resolver o conflito de interesses.

É importante que você saiba que, no processo penal, por exemplo, a legislação estabelece que o juiz tem um prazo de 10 dias, de acordo com o artigo 403 do CPP,  para proferir a sentença após o recebimento dessas alegações finais. 

No entanto, na prática judiciária, esse tempo pode variar conforme o volume de trabalho da vara. O fato é que, uma vez protocolados os memoriais, a missão de argumentação direta naquela instância está cumprida, restando apenas aguardar a publicação da decisão judicial.

Qual o prazo para apresentação dos memoriais?

Os prazos para essa peça não são unificados, variando significativamente conforme a área do direito em que o processo tramita. 

  • Processo Civil (CPC): o prazo é de 15 dias úteis sucessivos para cada parte, começando pelo autor e seguindo para o réu.  A contagem em dias úteis exclui feriados e finais de semana. O juiz pode dilatar esses prazos em alguns casos.
  • Processo Penal (CPP): o prazo é de 5 dias corridos sucessivos para cada parte. Nesse caso, a contagem não para nos finais de semana; se o prazo termina em um domingo, ele se prorroga para a segunda-feira.
  • Processo do Trabalho (CLT): Nesse caso, não há um prazo fixo em lei. É comum que o juiz estipule o tempo de acordo com sua conveniência durante a audiência, geralmente variando entre 2 a 10 dias, dependendo do caso.

Como estruturar um memorial no processo civil?

Para elaborar um memorial que realmente chame a atenção do juiz no processo civil, deve-se focar na clareza e no poder de persuasão. Não adianta apenas copiar e colar o que foi dito na petição inicial ou na contestação; o segredo aqui é o foco na prova produzida. 

O juiz já conhece a tese jurídica, agora ele quer saber se o que foi alegado também foi comprovado durante a audiência ou pela perícia realizada nos autos. Sua escrita deve ser direta e organizada para facilitar a leitura rápida do magistrado, que muitas vezes lida com centenas de processos simultâneos.

Utilize tópicos para separar os assuntos e certifique-se de que a conclusão da sua peça esteja em total harmonia com os pedidos feitos lá no início do processo. Lembre-se que um memorial confuso ou repetitivo pode acabar afastando a atenção do julgador em vez de atraí-la para os seus argumentos principais.

Estrutura dos memoriais

A estrutura básica de um memorial deve conter obrigatoriamente: endereçamento, epígrafe com dados do processo, síntese dos fatos, fundamentação jurídica atualizada, pedidos e o fechamento. 

O endereçamento deve ser dirigido ao juiz da causa, enquanto a epígrafe identifica o número do processo e as partes envolvidas. Na síntese dos fatos, deve-se narrar brevemente o que aconteceu desde o início da ação até o encerramento da instrução, preparando o terreno para a argumentação.

No tópico do direito e fundamentação, deve ser feita a análise profunda das provas, conectando cada depoimento ou documento à lei. É aqui que o advogado deve mostrar que a realidade dos fatos se encaixa perfeitamente na norma jurídica. Por fim, os pedidos devem reiterar o que se deseja obter com a sentença, finalizando com o local, data e a assinatura do advogado responsável, selando o compromisso com a tese apresentada.

Elementos dos memoriais

Os elementos essenciais incluem a análise detalhada de todas as provas (documentais, orais e periciais) e uma revisão procedimental para apontar eventuais erros ou falhas que possam ter ocorrido. 

Não se deve apenas citar artigos de lei, também é preciso demonstrar, por exemplo, como o depoimento de uma testemunha específica confirmou um ponto-chave da sua narrativa, tornando o fato incontroverso.

Outro elemento fundamental é a atenção às falhas prejudiciais. Se durante a audiência ou no decorrer do processo houve alguma falha que prejudicou sua parte, este é o momento definitivo para apontar esse erro antes que o juiz entre no mérito da questão. 

Os memoriais devem ser usados para amarrar as pontas soltas e mostrar ao magistrado que o caminho mais justo e legal é o acolhimento total da pretensão apresentada, baseando-se no que foi efetivamente provado.

Conclusão

Os memoriais representam a última oportunidade de estabelecer um diálogo técnico com o juiz antes da sentença, permitindo uma exposição muito mais refinada, detalhada e estratégica do que seria possível em uma sustentação oral. 

Ao entregar memoriais objetivos e bem fundamentados, o trabalho do magistrado é facilitado, uma vez que ele recebe um roteiro seguro para a construção da sentença. Portanto, a dedicação na elaboração deste documento é um investimento fundamental para a segurança jurídica e para a obtenção de um resultado favorável.

O sucesso em uma demanda judicial depende diretamente da capacidade de converter o volume de informações colhidas na instrução em uma narrativa lógica e convincente. Dominar o prazo correto em cada esfera do Direito e saber organizar os elementos essenciais dessa peça é o que separa uma atuação comum de uma defesa de excelência. 

Para garantir que nenhum desses prazos seja perdido e que a estrutura dos seus memoriais siga o mais alto padrão de qualidade, contar com uma gestão automatizada é o caminho para o crescimento do seu escritório. 

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Autor
Foto - Eduardo Koetz
Eduardo Koetz

Eduardo Koetz é advogado, escritor, sócio e fundador da Koetz Advocacia e CEO da empresa de software jurídico Advbox.

Possui bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Possui tanto registros na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB (OAB/SC 42.934, OAB/RS 73.409, OAB/PR 72.951, OAB/SP 435.266, OAB/MG 204.531, OAB/MG 204.531), como na Ordem dos Advogados de Portugal - OA ( OA/Portugal 69.512L).
É pós-graduado em Direito do Trabalho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2011- 2012) e em Direito Tributário pela Escola Superior da Magistratura Federal ESMAFE (2013 - 2014).

Atua como um dos principais gestores da Koetz Advocacia realizando a supervisão e liderança em todos os setores do escritório. Em 2021, Eduardo publicou o livro intitulado: Otimizado - O escritório como empresa escalável pela editora Viseu.

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