Modelo de memoriais para furto qualificado e qual o prazo
Os memoriais de furto qualificado são uma das peças mais estratégicas da fase final do processo penal, porque permitem à defesa apresentar uma análise técnica das provas, reforçar teses, contestar a versão acusatória e pedir a absolvição ou a aplicação de figuras mais brandas do tipo penal.
Quando bem elaborados, os memoriais conseguem destacar inconsistências probatórias e conduzir o juiz à solução mais adequada diante do conjunto de elementos do processo.
Por isso, compreender quando apresentar os memoriais furto qualificado, o que deve constar na peça e quais teses são cabíveis é essencial para qualquer advogado criminalista, especialmente diante das particularidades do art. 155, § 4º, do Código Penal.
Neste artigo, você vai entender como funcionam os memoriais furto qualificado e quais elementos não podem faltar nessa peça, quais teses defensivas costumam ser mais eficazes e qual é o prazo legal previsto no Código de Processo Penal.
Modelo de memoriais em furto qualificado
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 00ª VARA CRIMINAL
DA COMARCA DE CIDADE – UF
Processo nº 00000000
NOME DO ACUSADO, já devidamente qualificado nos autos em epígrafe, por intermédio de seu advogado, bastante procurador que subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal, apresentar as presentes
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS,
pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.
I – SÍNTESE DO PROCESSO
O acusado foi denunciado como incurso no artigo 155, § 4º, inciso ___, do Código Penal, sob a alegação de ter subtraído para si coisa alheia móvel, consistente em ___ (descrever os bens), avaliados em R$ ___ (fls. ___).
A defesa preliminar apresentada às fls. ___ não foi acolhida, tendo sido recebida a denúncia (fls. ___).
Na audiência de instrução e julgamento, foram colhidos os depoimentos da suposta vítima e das testemunhas arroladas, bem como realizado o interrogatório do acusado (fls. ___).
Encerrada a instrução, o Ministério Público, em suas alegações finais, pugnou pela condenação do réu nos termos da exordial acusatória (fls. ___).
Todavia, a prova produzida nos autos não autoriza o decreto condenatório, conforme passa a demonstrar a defesa.
II – DA INSUFICIÊNCIA DE PROVAS PARA A CONDENAÇÃO
(Tese principal)
No processo penal, a condenação exige prova segura, firme e indiscutível da autoria e da materialidade delitiva. A dúvida, ainda que mínima, impõe solução absolutória, nos termos do princípio do in dubio pro reo.
No caso concreto, a acusação se sustenta essencialmente em elementos frágeis, incapazes de demonstrar, de forma inequívoca, a autoria do delito imputado ao acusado.
Destaca-se que:
- o reconhecimento do réu ocorreu de forma tardia e sem observância das cautelas legais;
- eventuais imagens ou registros apenas demonstram a presença do acusado no local, não a subtração dos bens;
- a res furtiva não foi encontrada em posse do acusado;
- inexistem provas técnicas ou testemunhais robustas que confirmem a narrativa acusatória.
Dessa forma, não há nos autos prova suficiente para sustentar uma condenação criminal, sendo imperiosa a absolvição do acusado com fundamento no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.
III – DO AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA
(Tese subsidiária)
Na remota hipótese de não acolhimento da absolvição por insuficiência probatória, a defesa requer o afastamento da qualificadora imputada.
As qualificadoras previstas no artigo 155, § 4º, do Código Penal exigem comprovação clara e objetiva, não podendo ser presumidas. No entanto, a prova produzida não demonstra, de forma segura, a ocorrência de rompimento de obstáculo, fraude, concurso de agentes ou qualquer outra circunstância qualificadora.
A simples narrativa acusatória, desacompanhada de prova técnica ou testemunhal idônea, não é suficiente para sustentar a incidência da qualificadora.
Assim, ausente comprovação efetiva da circunstância qualificadora, impõe-se a desclassificação da conduta para o tipo de furto simples, previsto no artigo 155, caput, do Código Penal.
IV – DA ANÁLISE EXCEPCIONAL DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
(Tese subsidiária sucessiva)
Caso Vossa Excelência entenda pelo afastamento da qualificadora, passando a conduta ao tipo de furto simples, a defesa requer, de forma excepcional, a análise do princípio da insignificância.
É certo que a jurisprudência dos tribunais superiores entende que o princípio da insignificância, como regra, não se aplica ao furto qualificado, justamente em razão da maior reprovabilidade da conduta. Todavia, afastada a qualificadora, a análise da atipicidade material torna-se juridicamente possível.
No presente caso, considerando o reduzido valor dos bens, a inexistência de violência ou grave ameaça, a ausência de prejuízo relevante à vítima e as circunstâncias pessoais do acusado, é admissível o reconhecimento da atipicidade material da conduta.
Diante dessas particularidades, requer-se o reconhecimento excepcional da insignificância, com a consequente absolvição do acusado, nos termos do artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal.
V – DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer a defesa:
a) A absolvição do acusado, com fundamento no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, diante da insuficiência de provas para a condenação;
b) Subsidiariamente, o afastamento da qualificadora imputada, com a consequente desclassificação da conduta para furto simples;
c) Apenas na hipótese de desclassificação, o reconhecimento excepcional do princípio da insignificância, com a absolvição do acusado com fundamento no artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal.
Por ser medida de Justiça.
Termos em que,
Pede deferimento.
CIDADE, ___ de __________ de ______.
ADVOGADO
OAB nº ___
O que são memoriais em processo de furto qualificado?
Memoriais em processo de furto qualificado são as alegações finais por escrito apresentadas pela defesa ou acusação após o encerramento da instrução. Eles permitem analisar as provas, organizar as teses jurídicas e orientar o juiz na formação de sua convicção.
Eles funcionam como uma peça de fechamento do processo e orientam o juiz na formação de sua convicção final sobre o caso. A peça permite que o advogado reúna elementos relevantes da audiência, como depoimentos, contradições, documentos, vídeos e perícias apresentados no processo.
Nos memoriais, a defesa pode:
- Destacar inconsistências na denúncia;
- Demonstrar a ausência de prova de autoria;
- Rebater depoimentos comprometidos;
- Pedir absolvição por atipicidade ou insuficiência de provas;
- Argumentar pela desclassificação para furto simples;
- Defender o reconhecimento da tentativa;
- Requerer causas de diminuição de pena.
Em casos de furto qualificado, os memoriais são ainda mais importantes porque qualificadoras como fraude, concurso de agentes ou rompimento de obstáculo exigem fundamentação reforçada, tanto para afastá-las quanto para pedir enquadramento mais brando.

Em quais fases do processo devo apresentar memoriais no crime de furto qualificado?
Os memoriais no crime de furto qualificado são apresentados após o encerramento da instrução, quando todas as provas já foram produzidas. Essa etapa acontece depois dos depoimentos da vítima, das testemunhas e do interrogatório do acusado. Somente então o juiz abre prazo específico para as alegações finais por escrito.
Esse é o momento em que a defesa já têm conhecimento completo do conjunto probatório apresentado no processo. Com isso, permite-se analisar contradições, destacar fragilidades e organizar teses com mais precisão. Por isso, os memoriais são considerados uma etapa essencial da estratégia processual.
A fase de memoriais também é utilizada quando o caso envolve elementos complexos, como vídeos, laudos técnicos ou depoimentos contraditórios. Nesses cenários, a defesa precisa de tempo para revisar o conteúdo e construir argumentação estruturada. Isso garante que cada ponto relevante seja apresentado ao juiz de forma clara.
Assim, os memoriais surgem como o último momento para consolidar pedidos e reforçar teses antes da sentença. Eles permitem que a defesa apresente raciocínio organizado, destaque a ausência de qualificadoras ou sustente eventual pedido de absolvição. Por isso, a etapa assume papel decisivo no resultado do processo.
Qual o prazo para apresentação de memoriais para furto qualificado?
O prazo para apresentação de memoriais no furto qualificado é de cinco dias para cada parte, conforme estabelece o artigo 403, § 3º, do CPP.
Após o encerramento da instrução, o juiz primeiro concede cinco dias ao Ministério Público para suas alegações finais. Em seguida, a defesa recebe mais cinco dias para apresentar seus memoriais escritos de forma organizada.
Esse prazo possibilita análise cuidadosa das provas produzidas ao longo do processo, como depoimentos, documentos e eventuais registros audiovisuais. A defesa dispõe desse período para estruturar teses, identificar inconsistências e reforçar pontos técnicos relevantes. Assim, o prazo garante qualidade e precisão na argumentação.
A contagem ocorre de maneira sucessiva, iniciando apenas após a manifestação ministerial. Isso evita prejuízo ao acusado e assegura igualdade na participação processual. O advogado deve acompanhar as intimações com atenção, pois a perda do prazo compromete a estratégia defensiva.
Softwares de gestão, como a ADVBOX, ajudam a evitar esse tipo de risco. Essas plataformas emitem alertas, organizam prazos e centralizam documentos, facilitando a rotina do escritório. Isso contribui para um trabalho mais eficiente e seguro em todas as fases do processo penal.
O que deve conter nos memoriais da defesa em caso de furto qualificado?
Os memoriais da defesa em caso de furto qualificado devem reunir análise completa das provas, argumentos jurídicos consistentes e pedidos claros. A peça precisa demonstrar como os elementos do processo favorecem o acusado. Também deve expor contradições, fragilidades e pontos que geram dúvidas sobre autoria ou qualificadoras.
O memorial deve apresentar revisão detalhada dos depoimentos prestados na audiência, destacando mudanças de versão e inconsistências relevantes. É importante ressaltar eventuais dúvidas quanto ao reconhecimento do acusado, bem como a ausência de provas materiais que confirmem a subtração. Cada informação deve ser organizada de forma lógica e objetiva.
Além disso, a defesa deve analisar a dinâmica do fato e relacionar cada prova ao tipo penal imputado. Essa análise permite demonstrar ausência de dolo, falta de qualificadoras ou falhas na narrativa acusatória. O memorial também deve explicar por que a prova não sustenta condenação segura no caso concreto.
A peça deve incluir jurisprudência atualizada, reforçando teses como insignificância, insuficiência probatória ou desclassificação. O uso de precedentes fortalece o raciocínio jurídico e orienta o juiz. Por fim, o memorial deve terminar com pedidos precisos, indicando claramente as teses absolutórias e subsidiárias que favorecem o réu.
É possível pedir a desclassificação para furto simples ou o reconhecimento da tentativa nos memoriais?
Sim, é possível pedir a desclassificação para furto simples ou o reconhecimento da tentativa diretamente nos memoriais. Essa é uma etapa adequada para apresentar teses subsidiárias. A defesa pode usar essa oportunidade para mostrar que as provas não sustentam qualificadoras ou consumação.
A desclassificação é cabível quando não há prova firme que demonstre rompimento de obstáculo, fraude ou concurso de agentes. A defesa deve explicar por que a qualificadora não se confirma no caso concreto. Isso reduz a pena e altera a resposta penal aplicada ao réu.
O reconhecimento da tentativa é analisado quando não houve posse tranquila da coisa. Também se aplica quando a ação foi interrompida antes da consumação. A defesa deve apontar elementos da prova que indiquem essa situação processual.
Esses pedidos fortalecem a estratégia defensiva, especialmente quando absolvição integral não parece provável. A apresentação dessas teses nos memoriais mostra preparação técnica e domínio do conjunto probatório. Isso pode influenciar positivamente o convencimento do juiz.
Conclusão
Os memoriais em casos de furto qualificado representam a última oportunidade para organizar argumentos e reforçar teses jurídicas com base na prova produzida. Essa etapa exige análise cuidadosa das versões apresentadas em audiência e avaliação do conjunto probatório. A defesa precisa destacar contradições, fragilidades e elementos que favoreçam o acusado.
Nesse momento, o advogado deve estruturar a estratégia final com clareza, utilizando fundamentos jurídicos consistentes e pedidos bem alinhados ao caso concreto. Teses absolutórias e subsidiárias devem aparecer com precisão técnica. A construção lógica do memorial contribui para uma decisão judicial mais justa e fundamentada.
A elaboração dessa peça exige organização, atenção aos prazos e domínio das informações do processo. Por isso, ferramentas que auxiliam na gestão do escritório tornam o trabalho mais ágil e seguro. Soluções tecnológicas ajudam a evitar erros e garantem mais eficiência na rotina jurídica.
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