Contratu-4: agente de IA para disputas contratuais e análise de contratos

Os contratos estão presentes em praticamente todas as relações econômicas e empresariais, desde acordos simples de prestação de serviços até estruturas complexas de parcerias e negócios. E, quando uma das partes deixa de cumprir o que foi combinado, o contrato deixa de ser só um documento e passa a ser a principal prova de uma disputa.

O trabalho do advogado contratualista envolve elaboração, revisão, negociação e, muitas vezes, a discussão judicial desses instrumentos. Nessa última etapa, o desafio está nos detalhes: cláusulas que se contradizem, aditivos que mudaram as condições originais, e-mails que comprovam (ou não) uma entrega, prazos de notificação que precisam ser respeitados.

Neste artigo, apresentamos o Contratu-4, o agente de Direito Contratual da LawX, e mostramos como ele ajuda a organizar essa documentação e a transformar uma disputa contratual em uma peça bem estruturada.

O que é o Contratu-4?

O Contratu-4 é o agente de Direito Contratual da LawX, faz parte de uma banca de agentes especializados por área e atua em duas frentes.

Para entender o que ele faz, pense no caminho de um contrato descumprido até virar processo. O cliente chega com uma pasta: o contrato, dois aditivos, uma troca de e-mails, comprovantes de pagamento e uma notificação sem resposta. Antes de redigir qualquer linha, o advogado precisa entender o que foi combinado, o que mudou depois e o que realmente pode ser provado.

É essa leitura que o Contratu-4 adianta. Ele cruza o contrato com o restante da documentação e entrega o caso organizado, com cada fato ligado à sua fonte. Com a estratégia definida, o mesmo agente transforma essa leitura em uma peça, seja para pedir a rescisão, revisar o contrato, cobrar a multa ou defender o cliente.

Como funciona o Contratu-4?

Em uma disputa contratual, quase tudo depende do que está escrito e do que aconteceu depois da assinatura. Por isso o agente pode entrar em dois momentos de um caso:

Análise do caso

O advogado envia o contrato, os aditivos, as notificações trocadas, os e-mails, os comprovantes de pagamento e os registros de entrega. O agente organiza o caso em tópicos:

  • Memorial de fatos: reúne quem são as partes, o que foi contratado e o que aconteceu, com cada informação ligada ao documento de origem.;
  • Linha do tempo: coloca em ordem assinatura, aditivos, prazos de entrega, pagamentos e notificações. É ali que aparece, por exemplo, se o prazo para corrigir uma falha foi respeitado;
  • Análise das provas: separa o que está comprovado do que é apenas alegado, como uma entrega afirmada pelo fornecedor sem nenhum registro de aceite;
  • Contradições entre documentos: aponta divergências, como um aditivo que altera o prazo sem mencionar a multa ou um e-mail que contradiz uma cláusula;
  • Ações sugeridas: indica os caminhos possíveis, como rescisão, revisão ou cobrança, com nível de confiança e o que ainda falta comprovar.

Se o cliente já está cadastrado no software jurídico ADVBOX, os documentos da nuvem entram na análise automaticamente. 

Se não, basta enviar os arquivos: a ferramenta aceita materiais em diferentes formatos, como PDF, Word, planilhas, imagens, áudios e vídeos (por exemplo, a gravação de uma reunião de negociação), com até 50 MB por arquivo, além de links do Google Drive, Docs, Sheets e Presentations.

Geração de peças

Para gerar a peça, o advogado escolhe o agente e o tipo de peça e descreve o caso. O agente devolve as teses organizadas por tópico, cada uma com seus fundamentos, e sugere o tipo de ação, o juízo competente, as provas e o valor da causa.

O formulário muda conforme a peça. Em uma inicial, o advogado narra o caso com suas palavras. Numa contestação, pode anexar a petição da parte contrária em PDF para que o agente preencha os campos a partir dela, e indicar os pontos de defesa, como a alegação de que o próprio autor deixou de cumprir sua parte.

Em seguida, o agente propõe os dados que estruturam a ação: o nome técnico do pedido (por exemplo, rescisão contratual cumulada com restituição de valores), o foro competente, considerando eventual cláusula de eleição, as preliminares, como um pedido de tutela de urgência, as provas, como a perícia técnica num serviço mal executado, e o valor da causa. Tudo pode ser ajustado.

Antes da geração final, o advogado revisa as teses, edita, exclui ou inclui novas. Em poucos minutos, é possível ter peça única e formatada, com qualificação das partes, fatos, fundamentos e pedidos, que pode ser baixada em Word ou ajustada em conversa com o agente, por exemplo, para reforçar a fundamentação de uma cláusula específica.

O que é possível fazer com o Contratu-4

O Contratu-4 trabalha com as 8 peças base da LawX: petição inicial, contestação, réplica, contrarrazões, apelação, recursos, agravo de instrumento e parecer jurídico. A partir delas, o advogado estrutura as principais demandas da área:

  • Ações de rescisão contratual por inadimplemento, com pedido de indenização;
  • Revisão contratual por onerosidade excessiva;
  • Cobrança de multa contratual e de perdas e danos;
  • Defesas em ações de cobrança ou de rescisão, como a alegação de que a outra parte também não cumpriu sua obrigação;
  • Recursos em disputas contratuais;
  • Pareceres jurídicos sobre os riscos de um contrato ou sobre a viabilidade de uma ação.

O parecer jurídico é o caminho para quem precisa de apoio antes do conflito: com ele, o advogado pode estruturar uma análise das cláusulas de um contrato e dos riscos que ele traz para o cliente.

Exemplo de ação de rescisão contratual com o Contratu-4

O caso

Uma empresa contratou o desenvolvimento de um sistema de gestão por R$ 120 mil, com entrega em 120 dias, e pagou R$ 72 mil conforme o cronograma. O fornecedor entregou com atraso e sem dois módulos essenciais. Notificado, não corrigiu as falhas no prazo de 15 dias previsto no contrato. O contrato tem cláusula penal de 20% do valor total para o caso de inadimplemento.

Na análise, a linha do tempo deixa claros o atraso e o prazo de correção vencido, e o cruzamento entre o contrato e os e-mails mostra que os módulos ausentes estavam no escopo original. Na peça, esses pontos sustentam o pedido de rescisão com restituição e multa.

Petição gerada pelo Contratu-4 e revisada

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ___ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE [CIDADE]/[UF]

[NOME DA EMPRESA CONTRATANTE], pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº [CNPJ], com sede em [ENDEREÇO], endereço eletrônico [E-MAIL], representada na forma de seu contrato social, por seu advogado (procuração anexa), vem, respeitosamente, propor a presente

AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL COM RESTITUIÇÃO DE VALORES E APLICAÇÃO DE CLÁUSULA PENAL

em face de [NOME DA EMPRESA FORNECEDORA DO SISTEMA], pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº [CNPJ], com sede em [ENDEREÇO], endereço eletrônico [E-MAIL], pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor.

I. DOS FATOS

Em [DATA], as partes firmaram contrato para o desenvolvimento e a entrega de um sistema de gestão personalizado, pelo valor de R$ 120.000,00, com prazo de entrega de 120 dias. O contrato previa a entrega do sistema em plena capacidade operacional, com todos os módulos discriminados em seu escopo (doc. 1).

A autora pagou R$ 72.000,00, em estrita observância ao cronograma financeiro previsto (doc. 2). Contudo, ultrapassado o prazo contratado, a ré entregou o sistema com considerável atraso, como demonstra a sequência cronológica dos documentos que instruem esta peça.

Além do atraso, o sistema foi entregue incompleto, sem dois módulos essenciais previstos no escopo do contrato e confirmados em e-mails trocados entre as partes (doc. 3). Esses módulos são indispensáveis à funcionalidade do sistema e às necessidades para as quais a solução foi contratada, o que inviabiliza seu uso pela autora.

Identificadas as falhas, a autora notificou formalmente a ré, concedendo-lhe o prazo contratual de 15 dias para saná-las (doc. 4). Decorrido o prazo, a ré permaneceu inerte, sem corrigir as falhas e sem justificar o descumprimento.

II. DO DIREITO

1. Do inadimplemento contratual

O inadimplemento está demonstrado pela entrega intempestiva e incompleta do sistema. A ré deixou de cumprir, no prazo pactuado, obrigação essencial à finalidade do negócio, ao não entregar dois módulos indispensáveis ao funcionamento do sistema.

Diante do inadimplemento, a parte lesada pode pedir a resolução do contrato, com indenização pelos prejuízos (art. 475 do Código Civil). A conduta da ré também afronta a boa-fé objetiva, que deve orientar as partes na execução do contrato (art. 422 do Código Civil).

2. Da notificação e do prazo para correção

Ao constatar as falhas, a autora notificou a ré e concedeu o prazo de 15 dias previsto no contrato para a regularização. A ré não aproveitou a nova oportunidade, o que confirma o inadimplemento e afasta qualquer alegação de surpresa ou de ausência de comunicação prévia.

3. Da prova documental

O contrato, os e-mails trocados entre as partes, os comprovantes de pagamento e a notificação formam prova documental suficiente do inadimplemento. Os documentos demonstram o escopo contratado, o atraso, a entrega incompleta e a concessão de prazo para correção, nos termos dos arts. 369 e 373, I, do CPC.

4. Da restituição dos valores pagos

Resolvido o contrato por culpa da ré, as partes devem retornar à situação anterior, o que impõe a restituição integral dos R$ 72.000,00 pagos pela autora. A autora não usufruiu do sistema contratado, e a manutenção dos valores pela ré não encontra contrapartida em serviço efetivamente prestado.

O valor deve ser corrigido desde cada desembolso e acrescido de juros de mora desde a citação (art. 405 do Código Civil). Não havendo índice e taxa convencionados, aplicam-se o IPCA e a taxa Selic deduzido o IPCA (arts. 389, parágrafo único, e 406 do Código Civil).

5. Da cláusula penal

O contrato prevê cláusula penal de 20% sobre o valor total em caso de inadimplemento, no valor de R$ 24.000,00. O devedor incorre de pleno direito na cláusula penal quando, culposamente, deixa de cumprir a obrigação (art. 408 do Código Civil). Tratando-se de cláusula penal compensatória, sua cobrança independe de prova do prejuízo (art. 416) e cabe à autora optar por exigi-la em substituição às perdas e danos (art. 410).

6. Da competência

A ação é proposta no foro de [CIDADE], [eleito no contrato, com pertinência com o domicílio de uma das partes ou com o local da obrigação (art. 63, § 1º, do CPC) / do domicílio da ré (art. 46 do CPC)].

III. DA TUTELA DE URGÊNCIA

Estão presentes os requisitos do art. 300 do CPC. A probabilidade do direito decorre da prova documental do inadimplemento: o contrato, os comprovantes de pagamento, os e-mails e a notificação sem resposta.

O perigo de dano está na possibilidade de a ré cobrar o saldo remanescente do contrato ou negativar o nome da autora por obrigação cuja exigibilidade está em discussão, já que a própria ré deixou de cumprir sua parte (art. 476 do Código Civil). A medida é reversível e não causa prejuízo à ré.

Requer-se, assim, liminarmente: a) a suspensão de cobranças do saldo remanescente do contrato até decisão final; e b) a proibição de que a ré inscreva o nome da autora em cadastros de inadimplentes em razão das questões discutidas nesta ação.

IV. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, a autora requer:

a) a concessão da tutela de urgência, nos termos do item III;

b) a citação da ré para comparecer à audiência de conciliação ou mediação (art. 334 do CPC) ou, não sendo realizada, para apresentar contestação, sob pena de revelia;

c) a procedência da ação, com a rescisão do contrato por inadimplemento da ré e a condenação à restituição de R$ 72.000,00, corrigidos desde cada desembolso e com juros de mora desde a citação;

d) a condenação da ré ao pagamento da cláusula penal de R$ 24.000,00, corrigida desde o inadimplemento;

e) a condenação da ré ao pagamento das custas e dos honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC.

A autora [tem / não tem] interesse na audiência de conciliação ou mediação (art. 319, VII, do CPC).

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente documentos, perícia técnica no sistema entregue, depoimento pessoal do representante da ré e oitiva de testemunhas.

Dá-se à causa o valor de R$ 96.000,00, correspondente à soma dos valores pagos e da cláusula penal (art. 292, VI, do CPC).

Nestes termos, pede deferimento.

[CIDADE], [DATA].

[NOME DO ADVOGADO] OAB/[UF] nº [NÚMERO]

As cláusulas que mais geram disputas

Boa parte dos litígios contratuais nasce de falhas que estavam no contrato desde a assinatura. Conhecê-las ajuda tanto quem redige quanto quem precisa litigar sobre um contrato já assinado.

Objeto e escopo vagos

Quando o contrato descreve o que deve ser entregue de forma genérica, cada parte passa a ter sua própria versão do que foi combinado. 

Em disputas assim, a prova costuma estar fora do contrato, em propostas, e-mails e atas de reunião. A análise do caso ajuda justamente a reunir esses documentos e mostrar o que foi ajustado depois da assinatura.

Prazos sem consequência

Um prazo de entrega sem regra de notificação, sem prazo para correção e sem penalidade abre espaço para discussão sobre quando, de fato, houve inadimplemento. 

A linha do tempo do agente deixa visível a sequência entre vencimento, notificação e resposta da outra parte.

Cláusula penal mal definida

É comum o contrato não deixar claro se a multa é moratória, para o atraso, ou compensatória, para o descumprimento total. 

A diferença muda o que pode ser cobrado, como a moratória pode ser exigida junto com a obrigação principal (art. 411 do Código Civil), enquanto a compensatória substitui as perdas e danos (art. 410). 

Além disso, a multa não pode superar o valor da obrigação principal (art. 412) e pode ser reduzida pelo juiz se for excessiva (art. 413).

Rescisão sem regras claras

Contratos sem previsão de aviso prévio ou de consequências para a saída de uma das partes geram disputas sobre a legitimidade da rescisão. 

Quando uma das partes fez investimentos consideráveis para executar o contrato, a denúncia unilateral só produz efeitos depois de um prazo compatível com esses investimentos (art. 473, parágrafo único, do Código Civil).

Foro e forma de resolver conflitos

Desde a Lei 14.879/2024, o foro de eleição precisa ter relação com o domicílio de uma das partes ou com o local da obrigação, e a escolha abusiva pode ser afastada de ofício pelo juiz (art. 63 do CPC). 

Cláusulas de arbitragem mal redigidas também costumam gerar uma disputa prévia sobre quem deve julgar o caso.

Correção e juros não previstos

Sem índice e taxa definidos no contrato, valem as regras gerais do Código Civil, alteradas pela Lei 14.905/2024: correção pelo IPCA e juros pela taxa Selic deduzido o IPCA. Muitos contratos antigos foram redigidos sem considerar essa mudança.

Qual a diferença entre o Contratu-4 e uma IA genérica?

Ferramentas de IA genéricas são úteis para responder perguntas e produzir textos variados, mas não foram pensadas para o contexto jurídico brasileiro. Em uma disputa contratual, isso pesa em três pontos.

O primeiro é a prova, já que uma IA genérica responde com base no que o usuário escreve. O Contratu-4 lê o contrato, os aditivos e as mensagens trocadas, e cada fato que aparece na análise vem ligado ao documento de origem.

O segundo é a estrutura processual porque o agente de IA jurídico trabalha dentro de um fluxo de peça, com tipo de ação, juízo competente, provas e valor da causa, em vez de depender de um comando bem escrito.

O terceiro é o contexto profissional, por ser possível a integração com a ADVBOX, o agente trabalha com os documentos que o escritório já organiza na plataforma, com o cuidado que dados de clientes exigem.

Nenhum desses pontos dispensa a revisão do advogado, mas o ponto de partida fica muito mais próximo da peça final.

Conclusão

A atuação no Direito Contratual exige atenção constante à elaboração, à revisão e à discussão de instrumentos que regulam relações civis e empresariais. Quando o conflito aparece, o resultado costuma depender de detalhes: uma cláusula mal escrita, um aditivo esquecido, uma notificação enviada fora do prazo.

O Contratu-4 organiza o contrato e a documentação da relação entre as partes, aponta o que está provado e o que não fecha, e estrutura a peça com as teses e os pedidos adequados ao caso, sempre sob a revisão do advogado responsável.

Faça o teste do Contratu-4 na LawX e veja como estruturar suas disputas contratuais com mais clareza e segurança.

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