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Impetrar Habeas Corpus: o que significa, como fazer e prazo

Impetrar Habeas Corpus: o que significa, como fazer e prazo

O Habeas Corpus é um remédio constitucional desenhado para agir sempre que o direito à liberdade for ameaçado ou violado por alguma ilegalidade ou abuso de poder.Trata-se de um dos instrumentos mais essenciais do nosso ordenamento jurídico, servindo como uma garantia fundamental para proteger a liberdade das pessoas. 

O foco aqui é solucionar o problema da restrição indevida da liberdade, oferecendo uma via rápida e eficaz para restaurar o direito de ir e vir do cidadão. Neste texto, vamos explorar os aspectos mais importantes desse mecanismo, desde o seu significado histórico até os detalhes práticos de como utilizá-lo no dia a dia jurídico. 

Você entenderá os tipos de habeas corpus, quem pode fazer o pedido e qual a autoridade responsável pelo julgamento. Continue a leitura para dominar este tema e entender como a legislação brasileira protege o direito de ir e vir através de uma estrutura de autoridade e segurança jurídica.

O que é habeas corpus?

O habeas corpus é uma ação judicial, classificada como um remédio constitucional. Seu objetivo principal é garantir a liberdade de alguém diante de uma prisão ilegal ou ameaça a essa liberdade. Ele está previsto no artigo 5º, inciso LXVIII, da Constituição Federal de 1988, sendo um direito acessível a todos os cidadãos que se veem diante de uma coação arbitrária.

Diferente de outros recursos que discutem o mérito de um crime, este instrumento foca especificamente na liberdade de locomoção. Ele assegura que ninguém seja mantido preso ou detido de maneira contrária às normas vigentes. 

É uma ferramenta ágil e desburocratizada. Ela é considerada prioritária no sistema judiciário para corrigir injustiças imediatas contra o direito fundamental de locomoção. Além disso, também resolve o problema da detenção indevida com máxima urgência.

O que significa a expressão “Habeas Corpus”?

A expressão vem do latim e sua tradução literal significa “que tenhas o corpo”. Essa frase tem uma origem histórica profunda, remetendo à Idade Média e à Magna Carta de 1215, onde se exigia que o prisioneiro fosse apresentado fisicamente diante do tribunal para que a legalidade de sua prisão fosse devidamente avaliada pelas autoridades competentes.

Basicamente, o termo carrega a ideia de que a pessoa detida deve ser levada à presença do juiz para que este analise se a prisão é realmente legítima. Assim, o nome do instituto reflete sua função primordial de impedir que alguém seja mantido em cárcere sem um motivo legalmente justificado, reforçando o compromisso do Estado com a dignidade da pessoa humana e o devido processo legal.

Quais são os tipos de habeas corpus?

Existem modalidades diferentes dessa ação, que variam dependendo do momento em que a ameaça à liberdade ocorre e da solução necessária para o caso concreto. Essas modalidades são o Habeas Corpus Preventivo, o Repressivo e também o Coletivo. Siga sua leitura e entenda a diferença entre as três.

O Habeas Corpus Preventivo é utilizado quando a pessoa ainda não foi presa, mas existe uma ameaça iminente e concreta de que isso ocorra, funcionando como um salvo-conduto para evitar a detenção injusta antes mesmo que ela aconteça.

Por outro lado, existe o Habeas Corpus Repressivo, também chamado de liberatório, que é aplicado quando a prisão ilegal já se consumou. Nesse caso, o objetivo é conseguir a soltura imediata do indivíduo através de um alvará de soltura, corrigindo o abuso já praticado. 

Existe também o Habeas Corpus Coletivo, voltado para proteger grupos de pessoas que se encontram em situações similares de vulnerabilidade e ilegalidade, otimizando a prestação jurisdicional.

Qual a finalidade de um habeas corpus?

A principal finalidade deste instrumento é proteger o direito de liberdade de locomoção, garantindo que o Estado ou particulares não exerçam poder de forma abusiva contra o indivíduo. 

Ele serve para fazer cessar imediatamente um constrangimento ilegal ou afastar uma ameaça de coação, sendo a solução jurídica por excelência para o restabelecimento da liberdade individual.

Se a medida for concedida em sua modalidade preventiva, ela expede um salvo-conduto para impedir a prisão. Mas caso seja na forma repressiva, resulta na liberdade imediata do paciente. 

Em resumo, sua função é assegurar que a lei seja respeitada e que nenhuma restrição à liberdade ocorra ilegalmente, consolidando a segurança do cidadão perante o Estado.

Quando o habeas corpus é cabível?

O habeas corpus é cabível sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder. 

O artigo 648 do Código de Processo Penal lista situações específicas em que a coação é considerada ilegal, como quando não houver justa causa para a prisão ou quando alguém ficar preso por mais tempo do que a lei determina, configurando excesso de prazo.

Além disso, é cabível quando a ordem de prisão partir de autoridade incompetente, quando o motivo da prisão já tiver cessado ou quando não for admitida fiança em casos autorizados por lei. 

Também se aplica se o processo for manifestamente nulo ou quando a punibilidade já estiver extinta, demonstrando que o instrumento é amplo e versátil para combater diversas formas de ilegalidade no sistema penal.

É correto falar impetrar habeas corpus?

Sim, o termo técnico correto para a ação de ajuizar ou dar entrada nesse pedido é “impetrar”. A pessoa que apresenta o pedido é chamada tecnicamente de impetrante, e o ato de solicitar essa ordem judicial é denominado impetração.

Portanto, na linguagem jurídica e forense, o verbo impetrar é utilizado para descrever o ato de acionar o Judiciário através deste remédio constitucional. É a forma adequada e profissional de dizer que se está solicitando a proteção do Estado para resguardar a liberdade de alguém.

Como posso impetrar um habeas corpus?

Para impetrar um habeas corpus, você deve redigir uma petição dirigida à autoridade competente, relatando os fatos e a ilegalidade cometida de forma clara e objetiva. A lei brasileira não exige formalidades excessivas para este remédio, podendo o pedido ser feito até mesmo sem a presença de um advogado, bastando que a peça contenha a narrativa do constrangimento ilegal e a assinatura de quem solicita.

A petição deve indicar o nome da pessoa que sofre a coação, quem é a autoridade coatora e as razões jurídicas e fáticas do pedido. Hoje, existem inclusive ferramentas e modelos que auxiliam na elaboração desta peça.

O essencial para o sucesso da ação é que o documento deixe claro qual é a violação à liberdade que está ocorrendo ou prestes a ocorrer, focando na solução do problema.

Quais são as pessoas identificadas no processo de habeas corpus?

No processo, identificamos três figuras fundamentais: o impetrante, que é quem pede a ordem; o paciente, que é a pessoa que está presa ou ameaçada (podendo ser a mesma pessoa que o impetrante); e a autoridade coatora, que é quem ordenou ou executou a prisão considerada ilegal. 

Em alguns casos, pode haver também a figura do detentor, que é quem mantém o paciente preso, como um diretor de presídio, caso seja diferente da autoridade que deu a ordem original. 

É fundamental distinguir o impetrante (quem assina a peça) do paciente (quem será beneficiado). Também é importante lembrar que o paciente deve ser sempre uma pessoa física, pois pessoas jurídicas não possuem liberdade de locomoção física a ser protegida por este meio.

Qual é o prazo para impetrar um habeas corpus?

Não existe um prazo determinado para impetrar um habeas corpus no Direito brasileiro. Diferente de outros recursos processuais que possuem datas limites rígidas e podem ser inviabilizados caso o prazo não seja respeitado, o habeas corpus pode ser apresentado a qualquer momento.

Por se tratar de uma garantia constitucional contra a violação do direito de ir e vir, ele não sofre prescrição para o seu ajuizamento. Portanto, sempre que houver violência ou coação, a medida poderá e deverá ser solicitada imediatamente para resolver a situação de injustiça.

Qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus?

Sim, a legislação brasileira é extremamente ampla e democrática nesse sentido, permitindo que qualquer pessoa impetre um habeas corpus. Isso inclui qualquer cidadão, seja nacional ou estrangeiro, maior ou menor de idade, independentemente de ter capacidade postulatória ou de possuir registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O próprio preso pode escrever e assinar seu pedido, mesmo em papel comum, ou qualquer outra pessoa pode fazê-lo em seu favor, sem necessidade de uma procuração. Até mesmo o Ministério Público tem legitimidade para impetrar, e os juízes devem conceder a ordem de ofício caso percebam a ilegalidade flagrante durante o andamento do processo.

De quem é a competência para julgar do habeas corpus?

A competência para julgar o pedido é sempre do órgão ou autoridade superior ao que proferiu o ato. Segue uma regra estrita de hierarquia judiciária, dependendo de quem é a autoridade coatora. Se a ordem de prisão ou a ameaça partiu de um delegado de polícia ou de um particular, o habeas corpus deve ser dirigido ao juiz de primeira instância da respectiva comarca.

Caso a autoridade coatora seja o próprio juiz de primeiro grau, o pedido deve ser encaminhado ao Tribunal (Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal) ao qual ele está vinculado. 

Seguindo a escada hierárquica, se a coação vier de um Tribunal, a competência será de um Tribunal Superior (como o STJ), e atos de Ministros de Tribunais Superiores são julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), garantindo que a análise seja feita por um órgão superior ao que praticou o ato.

Conclusão

O habeas corpus é, sem dúvida, um dos instrumentos mais democráticos e vitais para a proteção dos direitos individuais no Brasil. Sua capacidade de ser utilizado por qualquer pessoa, sem formalidades excessivas e sem prazos limitantes, reforça seu papel de “remédio heroico” contra abusos do Estado.

Além disso, ele garante que a justiça esteja sempre ao alcance de quem sofre com a ilegalidade. Compreender como ele funciona, seus tipos e requisitos, empodera o cidadão a defender sua liberdade e a de terceiros diante de arbitrariedades. 

Embora a lei não exija advogado para a impetração, contar com auxílio técnico especializado pode ser decisivo para o sucesso do pedido, garantindo que a fundamentação jurídica seja sólida, técnica e eficaz na defesa intransigente do direito fundamental de ir e vir. 

Para os profissionais do Direito que buscam agilidade e precisão na gestão dessas medidas urgentes, a tecnologia é uma aliada indispensável. Conheça ADVBOX e descubra como automatizar fluxos de trabalho e garantir que nenhum prazo ou detalhe técnico seja perdido na defesa dos seus clientes.

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Autor
Foto - Eduardo Koetz
Eduardo Koetz

Eduardo Koetz é advogado, escritor, sócio e fundador da Koetz Advocacia e CEO da empresa de software jurídico Advbox.

Possui bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Possui tanto registros na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB (OAB/SC 42.934, OAB/RS 73.409, OAB/PR 72.951, OAB/SP 435.266, OAB/MG 204.531, OAB/MG 204.531), como na Ordem dos Advogados de Portugal - OA ( OA/Portugal 69.512L).
É pós-graduado em Direito do Trabalho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2011- 2012) e em Direito Tributário pela Escola Superior da Magistratura Federal ESMAFE (2013 - 2014).

Atua como um dos principais gestores da Koetz Advocacia realizando a supervisão e liderança em todos os setores do escritório. Em 2021, Eduardo publicou o livro intitulado: Otimizado - O escritório como empresa escalável pela editora Viseu.

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