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Modelo de memoriais lesão corporal e qual o prazo

Modelo de memoriais lesão corporal e qual o prazo

Modelo de memoriais lesão corporal e qual o prazo

Os memoriais de lesão corporal leve são uma das etapas mais importantes da defesa criminal, porque permitem ao advogado organizar os argumentos jurídicos de maneira estratégica antes da sentença

Nesse tipo de manifestação, a defesa revisita provas, contextualiza fatos, aponta omissões e reforça teses jurídicas capazes de afastar a responsabilidade do réu. Por isso, compreender como funcionam os memoriais, em quais fases do processo podem ser apresentados e qual o prazo correto é essencial para uma atuação técnica eficiente.

Neste artigo, você encontrará um modelo completo, explicações claras e orientações práticas sobre o uso dos memoriais lesão corporal leve, além de informações fundamentais sobre prazo, fases processuais e estrutura recomendada pela prática forense moderna.

Modelo de memoriais lesão corporal

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 00ª VARA CRIMINAL
DA COMARCA DE CIDADE – UF

Processo nº 00000000

NOME DO ACUSADO, já devidamente qualificado nos autos em epígrafe, por intermédio de seu advogado que subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal, apresentar as presentes

ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS,

pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.

I – SÍNTESE DO PROCESSO

O acusado foi denunciado como incurso no artigo 129, caput, do Código Penal, sob a alegação de ter praticado lesão corporal leve contra a suposta vítima, em data e local descritos na exordial acusatória.

Recebida a denúncia, seguiu-se a regular instrução criminal, oportunidade em que foram ouvidas a vítima, as testemunhas arroladas pelas partes e realizado o interrogatório do réu.

Encerrada a fase instrutória, o Ministério Público apresentou suas alegações finais, pugnando pela condenação do acusado nos termos da denúncia.

Todavia, a prova produzida nos autos não autoriza o decreto condenatório, conforme se demonstrará.

II – DA INSUFICIÊNCIA DE PROVAS PARA A CONDENAÇÃO

(Tese principal)

No processo penal, a condenação exige prova robusta e segura da autoria e da materialidade delitiva. A dúvida, quando presente, impõe solução absolutória, conforme o princípio do in dubio pro reo.

No caso em análise, o conjunto probatório revela-se frágil e contraditório. Os depoimentos colhidos em juízo apresentam divergências relevantes quanto à dinâmica dos fatos, não sendo possível extrair deles certeza quanto à responsabilidade penal do acusado.

O laudo de exame de corpo de delito, embora comprove a existência de lesões, não estabelece nexo causal seguro entre as lesões constatadas e a conduta atribuída ao réu. Além disso, inexistem provas independentes que confirmem a versão acusatória de forma inequívoca.

Diante desse cenário, não há nos autos prova suficiente para sustentar uma condenação criminal, razão pela qual deve o acusado ser absolvido, nos termos do artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.

III – DA LEGÍTIMA DEFESA OU ESTADO DE NECESSIDADE

(Tese subsidiária)

Na remota hipótese de não acolhimento da absolvição por insuficiência de provas, a defesa requer o reconhecimento da presença de causa excludente de ilicitude.

Conforme demonstrado durante a instrução, a conduta do acusado ocorreu em contexto de reação imediata a comportamento provocativo ou ameaçador da suposta vítima. Os elementos colhidos indicam que o réu agiu para repelir agressão atual ou iminente, ou para afastar perigo concreto a direito próprio ou de terceiro.

Nessas circunstâncias, resta configurada a legítima defesa ou, alternativamente, o estado de necessidade, nos termos dos artigos 23, inciso II, e 25 do Código Penal.

Reconhecida qualquer dessas excludentes, impõe-se a absolvição do acusado, com fundamento no artigo 386, inciso VI, do Código de Processo Penal.

IV – DA AUSÊNCIA DE DOLO OU DESCLASSIFICAÇÃO

(Tese subsidiária sucessiva)

Caso Vossa Excelência entenda pela inexistência de excludente de ilicitude, a defesa requer, subsidiariamente, a análise da ausência de dolo específico na conduta do acusado.

Os elementos dos autos indicam que eventual contato físico ocorreu de forma circunstancial, sem intenção deliberada de causar lesão corporal. Assim, não se pode atribuir ao réu o dolo exigido para a configuração do crime previsto no artigo 129 do Código Penal.

Diante disso, requer-se a absolvição por ausência de dolo ou, alternativamente, a desclassificação para conduta penal menos gravosa, conforme entendimento que melhor se adequar ao caso concreto.

V – DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer a defesa:

a) A absolvição do acusado, com fundamento no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, diante da insuficiência de provas para a condenação;

b) Subsidiariamente, o reconhecimento de causa excludente de ilicitude (legítima defesa ou estado de necessidade), com absolvição nos termos do artigo 386, inciso VI, do Código de Processo Penal;

c) Ainda de forma subsidiária, o reconhecimento da ausência de dolo ou a desclassificação da conduta, conforme entendimento de Vossa Excelência.

Por ser medida de Justiça.

Termos em que,
Pede deferimento.

CIDADE, ___ de __________ de ______.

ADVOGADO
OAB nº ___

O que são memoriais em processo de lesão corporal leve?

Memoriais em processo de lesão corporal leve são alegações finais por escrito apresentadas após a instrução para organizar fatos, provas e teses da defesa antes da sentença.

Eles substituem ou complementam os debates orais e permitem que o advogado exponha, de forma detalhada e estratégica, a análise das provas produzidas. Nessa etapa, a defesa aponta contradições, reforça elementos favoráveis ao réu, demonstra dúvidas razoáveis e fundamenta juridicamente o pedido de absolvição ou desclassificação.

Os memoriais são especialmente úteis quando o processo envolve versões conflitantes, laudos técnicos, depoimentos divergentes ou circunstâncias que exigem interpretação mais criteriosa pelo magistrado. 

Por isso, sua apresentação costuma ser decisiva em casos de lesão corporal leve, onde a dinâmica dos fatos e a análise do comportamento das partes têm papel central no resultado do julgamento.

Em quais fases do processo de lesão corporal leve devo apresentar memoriais?

Os memoriais em processo de lesão corporal leve devem ser apresentados após o encerramento da instrução, quando o juiz abre prazo para as alegações finais.

Essa etapa ocorre depois da oitiva das testemunhas, do interrogatório do réu e da produção de todas as provas admitidas no processo. Nesse momento, o magistrado decide se as partes farão debates orais ou se a defesa e o Ministério Público apresentarão memoriais escritos.

Em casos de maior complexidade, quando há versões contraditórias, exame de corpo de delito detalhado ou necessidade de análise minuciosa das provas, os juízes costumam preferir memoriais por escrito.

Além disso, em procedimentos regidos pela Lei Maria da Penha, os memoriais são ainda mais frequentes, pois o rito prevê a possibilidade de manifestação escrita para garantir maior proteção às partes e clareza na análise probatória.

Imagem explicativa que indica quando utilizar memoriais em processos de lesão corporal leve, destacando situações como após a instrução, existência de versões conflitantes, análise de laudo pericial, dispensa de debates orais pelo juiz e processos regidos pela Lei Maria da Penha que exigem manifestação escrita.

Qual o prazo para apresentação de memoriais finais em lesão corporal leve?

O prazo para apresentar memoriais finais em lesão corporal leve é, em regra, de 5 dias, salvo quando o juiz determina prazo diverso conforme o rito aplicado.

Esse período pode variar, especialmente quando o processo tramita pela Lei Maria da Penha ou segue o procedimento comum previsto no Código de Processo Penal. Por isso, compreender o rito é essencial para não perder o prazo e garantir a manifestação estratégica da defesa.

A seguir, veja como funciona o prazo de memoriais em cada situação e quais cuidados práticos o advogado deve ter em cada rito.

Lei Maria da Penha

Nos casos de lesão corporal leve praticada em contexto doméstico ou familiar, aplica-se o rito especial da Lei Maria da Penha, que segue dinâmica própria para alegações finais. O prazo para apresentação de memoriais costuma ser de 5 dias para o Ministério Público e mais 5 dias para a defesa, sucessivamente.

Esse modelo permite que a defesa responda diretamente aos argumentos ministeriais, aumentando a precisão técnica da manifestação. Além disso, como tais processos envolvem temas sensíveis e exigem análise minuciosa das circunstâncias de violência, os juízes costumam optar por memoriais escritos em vez de debates orais.

Isso garante maior segurança jurídica e oferece às partes a oportunidade de estruturar uma argumentação mais detalhada, especialmente quanto à dinâmica dos fatos e à credibilidade dos relatos. 

Por fim, é importante observar que, mesmo quando o prazo não estiver expressamente indicado, a prática forense adota como referência o art. 403, §3º, do CPP, aplicado de forma analógica.

Procedimento comum

Fora das hipóteses da Lei Maria da Penha, a lesão corporal leve segue o procedimento comum, e o prazo para memoriais costuma ser de 5 dias para cada parte, podendo ser simultâneo ou sucessivo. 

O juiz pode ampliar esse prazo quando considerar que o processo possui grande volume de provas ou exige análise técnica mais complexa, o que é permitido pelo princípio da razoabilidade processual.

Nos casos em que o magistrado determina alegações finais orais, mas as partes pedem substituição por memoriais escritos, é comum que o prazo também seja fixado em 5 dias.

Essa flexibilidade é importante porque, em lesões corporais com versões conflitantes, a defesa se beneficia de tempo para organizar provas, transcrever trechos relevantes e apresentar teses com maior robustez. Assim, conhecer o posicionamento do juiz e acompanhar os despachos de conclusão é fundamental para atuar com segurança e evitar perda de prazo.

O que deve constar nos memoriais da defesa em caso de lesão corporal leve?

Devem constar nos memoriais da defesa em caso de lesão corporal leve o resumo dos fatos, a análise das provas, a demonstração das contradições e a tese jurídica que sustenta o pedido final.

A defesa deve apresentar uma linha narrativa clara, retomando a dinâmica dos acontecimentos e evidenciando como os elementos probatórios favorecem o réu. Essa organização é essencial, porque orienta o juiz na compreensão dos fatos e reforça a coerência da tese defensiva.

Além disso, os memoriais devem destacar falhas da investigação, nulidades, inconsistências nos depoimentos e fragilidades no laudo de exame de corpo de delito. Cada ponto precisa ser trabalhado de forma estratégica, reforçando a existência de dúvida razoável ou a presença de causas excludentes de ilicitude, como legítima defesa ou estado de necessidade.

Também é recomendável incluir fundamentação jurídica atualizada, precedentes e interpretação coerente dos dispositivos aplicáveis ao caso concreto. Por fim, o pedido deve ser claro, normalmente absolvição, desclassificação ou reconhecimento de causa de exclusão de culpabilidade, concluindo a defesa de maneira objetiva e técnica.

Conclusão

Os memoriais em casos de lesão corporal leve representam uma das etapas mais importantes da atuação defensiva. É nesse momento que o advogado organiza provas, aponta contradições, reforça teses e demonstra ao juiz a interpretação mais adequada dos fatos. 

Quando bem elaborados, os memoriais ampliam as chances de absolvição, desclassificação ou reconhecimento de excludentes de ilicitude.

Além disso, essa etapa processual exige cuidado técnico e profundo conhecimento do procedimento escolhido, seja o rito da Lei Maria da Penha, seja o procedimento comum do Código de Processo Penal. O domínio desses detalhes garante segurança na argumentação e evita perda de prazo ou ineficiência estratégica.

Por fim, a elaboração de memoriais demanda tempo, clareza e organização, especialmente quando o advogado atua em grande volume de processos ou com equipes que precisam manter padronização e qualidade nas peças.

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