Segundo o Relatório sobre o Impacto da IA no Direito 2026, divulgado pela OAB-SP, três em cada quatro advogados brasileiros já utilizam inteligência artificial em suas atividades profissionais, um salto expressivo em relação aos 55% registrados no ano anterior.
Do total de entrevistados, 91% relataram melhora na qualidade técnica do trabalho, e 84% afirmaram que as expectativas foram atendidas ou superadas.
Esses dados traduzem, em números, uma transformação que já se manifesta no cotidiano dos escritórios, tribunais e departamentos jurídicos corporativos.
A inteligência artificial deixou de ser promessa para se tornar realidade consolidada; resta, porém, para alguns, compreender como converter o uso da ferramenta em recurso efetivo de trabalho.
Se você usa IA no escritório ou está avaliando começar, acompanhe esse texto para entender o que você precisa saber.
O que é inteligência artificial?
Inteligência artificial é a capacidade de um sistema computacional de processar informação e produzir respostas que imitam o raciocínio humano, sem que cada etapa desse raciocínio tenha sido explicitamente programada por alguém.
Não se trata de uma máquina que “pensa” ou “compreende” o Direito no sentido humano. O que ela faz é reconhecer estruturas linguísticas e correlações estatísticas em volumes de dados que nenhum profissional conseguiria processar manualmente.
Por que a IA ganhou espaço no setor jurídico?
O que torna a Inteligência Artificial relevante para o Direito é a natureza do trabalho jurídico: altamente textual, baseado em precedentes e extremamente repetitivo em boa parte de suas tarefas.
Um sistema inteligente treinado com milhões de decisões judiciais, petições e contratos aprende a reconhecer padrões nesse material e passa a ser capaz de sugerir fundamentos, identificar jurisprudência relevante, sinalizar cláusulas problemáticas em contratos ou prever tendências decisórias com base no histórico de um tribunal.
No Brasil, por exemplo, o Conselho Nacional de Justiça registrou mais de 80 milhões de processos em tramitação no país, um volume que torna inviável, sem apoio tecnológico, qualquer pretensão de resposta jurisdicional ágil.
É nesse contexto de sobrecarga que a IA deixou de ser uma inovação periférica para se tornar uma resposta funcional a um problema crônico do Judiciário brasileiro, gerando valor prático em velocidade e escala, aplicadas a um domínio em que a pesquisa exaustiva costuma ser decisiva.
Como funciona a inteligência artificial no Direito?
A inteligência artificial aplicada ao Direito funciona, em sua maior parte, por meio do processamento de linguagem natural, tecnologia que permite a sistemas computacionais ler, interpretar e gerar texto em linguagem humana com alto grau de coerência.
Ou seja, um sistema inteligente é capaz de compreender o contexto de uma cláusula contratual, identificar a tese jurídica central de um acórdão ou reconhecer que duas decisões de tribunais distintos tratam do mesmo problema sob fundamentos diferentes.
A partir do treinamento com volumes massivos de material jurídico, a IA aprende a reconhecer padrões: quais argumentos costumam aparecer juntos, como determinado tribunal tende a decidir em casos semelhantes, quais cláusulas são comuns em contratos de determinado setor.
Não se trata de compreensão no sentido humano, mas de correlação estatística sofisticada o suficiente para produzir resultados úteis e, em muitos casos, precisos.
Como a IA é aplicada à rotina de escritórios e departamentos jurídicos?
A incorporação da IA à rotina jurídica varia conforme o porte do escritório, a área de atuação e o nível de maturidade tecnológica da equipe. Mas há um conjunto de aplicações que já se consolidou como parte do dia a dia de uma parcela crescente dos profissionais brasileiros.
Nos escritórios de advocacia, a tecnologia tem sido utilizada principalmente para acelerar a fase de pesquisa e fundamentação. Em vez de gastar horas consultando bases de jurisprudência manualmente, o advogado descreve o problema jurídico em linguagem natural e obtém, em segundos, um conjunto de decisões relevantes, com indicação de tribunais, datas e tendências.
Esse uso não elimina a análise crítica do profissional, que ainda precisa avaliar a pertinência e a aplicabilidade de cada precedente, mas comprime drasticamente o tempo dedicado à etapa mais mecânica do trabalho.
Já nos departamentos jurídicos, a aplicação mais comum é a análise e revisão de contratos. Isso porque, com as ferramentas é possível percorrer centenas de páginas de documentos contratuais, identificar cláusulas que desviam de padrões estabelecidos pela empresa, sinalizar riscos e sugerir adequações, tarefas que, feitas manualmente, demandariam dias de trabalho de uma equipe inteira.
Em contextos de fusões e aquisições, por exemplo, onde a due diligence jurídica envolve a revisão de volumes imensos de documentos em prazos curtos, essa capacidade representa uma vantagem competitiva concreta.
Quais tarefas jurídicas podem ser feitas por IA?
As principais tarefas que a IA pode realizar envolvem análise de documentos, elaboração de petições, pesquisas e revisões. O ponto importante é entender que ela pode auxiliar em muitas atividades, mas é preciso delimitar o grau em que ela assume cada uma delas.
Enquanto algumas funções mais operacionais podem ser parcialmente automatizadas, outras vão exigir revisão técnica e olhar humano. Confira abaixo algumas dessas tarefas:
- Pesquisa jurisprudencial: localizar, filtrar e organizar decisões relevantes sobre um tema é uma tarefa que a IA executa com velocidade e abrangência superiores à capacidade humana;
- Análise de grandes volumes de documentos: contratos, prontuários em ações de saúde, registros financeiros em litígios tributários e outros materiais extensos podem ser processados com apoio de IA, especialmente quando o volume inviabiliza a leitura integral por uma equipe;
- Elaboração de minutas e peças processuais padronizadas: petições iniciais em ações repetitivas, notificações extrajudiciais e contratos com estrutura predefinida podem ser gerados com base em parâmetros fornecidos pelo advogado;
- Revisão e adequação técnica: nesses casos, cabe ao advogado revisar o conteúdo, adaptar a peça ao caso concreto e assumir a responsabilidade técnica pelo resultado;
- Análise preditiva: ferramentas mais recentes já oferecem estimativas sobre as chances de êxito de uma ação com base no histórico decisório de determinado juiz ou tribunal;
- Apoio à estratégia processual: embora exija cautela metodológica e ética, esse tipo de aplicação pode orientar decisões sobre litigar ou negociar, recorrer ou aceitar um acordo.
Quais as melhores IAs para o jurídico?
Com o crescimento do mercado de IA, a advocacia deve ter um cuidado especial ao utilizar essas ferramentas, sabendo diferenciar as genéricas das específicas.
As melhores são aquelas que entendem o Direito e a rotina jurídica, como Donna, Justin-e e Agentes de Peticionamento.
Confira abaixo como cada uma funciona:
Donna
A Donna é uma assistente jurídica virtual desenvolvida e integrada à plataforma ADVBOX, e sua principal diferença em relação às demais ferramentas de IA disponíveis no mercado está no ponto de partida: enquanto sistemas genéricos como ChatGPT respondem ao que o usuário escreve, a Donna responde ao que acontece dentro do escritório.
Isso é possível porque ela atua diretamente sobre os dados da operação, processos em andamento, tarefas abertas, andamentos processuais, agenda, indicadores de produtividade, cadastros de clientes e movimentações do dia a dia.
Em vez de exigir que o advogado explique o contexto, cole informações e conduza a conversa manualmente, a Donna já nasce conectada à realidade registrada na plataforma. O escritório simplesmente pergunta; ela interpreta os dados e devolve respostas úteis, contextualizadas e acionáveis.
A Donna consegue, por exemplo, localizar quais processos tiveram andamento recente, identificar tarefas atrasadas, consultar as próximas audiências da semana ou visualizar a performance da equipe passa a ser uma consulta direta.
Justin-e
A Justin-e tem foco específico no tratamento de intimações judiciais e na organização da controladoria jurídica dos escritórios.
Ela foi desenvolvida pela ADVBOX para fazer um trabalho completo com intimações. A Justin-e analisa a intimação, identifica o tipo de ato judicial, calcula os prazos processuais e sugere as tarefas conforme a necessidade da intimação e os padrões já cadastrados no escritório.
Um dos aspectos mais relevantes da Justin-e é sua capacidade de aprendizado adaptativo: com o uso contínuo, a ferramenta passa a aprender os padrões de funcionamento do escritório, adaptando suas sugestões de tarefas e responsáveis conforme a rotina da equipe.
Isso significa que, quanto mais utilizada, mais precisa ela se torna para aquele contexto específico, uma vantagem significativa em relação a soluções genéricas que tratam todos os escritórios da mesma forma.
Agentes de Peticionamento
Diferentemente de um assistente genérico de redação, os agentes de petições foram desenvolvidos especificamente para operar dentro do fluxo jurídico, organizando informações, estruturando fundamentos e auxiliando na construção técnica das peças, com mais de 20 agentes disponíveis, cada um especializado em uma área do Direito.
Antes de gerar o documento final, o sistema apresenta as teses organizadas para que o advogado possa ajustar fundamentos e validar argumentos. Somente após essa revisão a peça é produzida.
Integração via API
Para escritórios que já utilizam ferramentas de IA externas, como o Claude, a ADVBOX permite integração via API, conectando o ambiente de gestão jurídica diretamente a esses sistemas.
Assim, o advogado aciona a capacidade de processamento de linguagem de uma LLM como o Claude dentro do próprio fluxo de trabalho da ADVBOX, sem precisar alternar entre plataformas ou replicar contexto manualmente.
É possível, por exemplo, integrar o Claude à Donna, combinando a inteligência de linguagem do Claude com os dados reais do escritório que a Donna já organiza e interpreta.
Como a inteligência artificial está transformando o Direito?
A mudança mais imediata e visível está na velocidade, isso porque tarefas que antes consumiam horas passaram a ser executadas em frações desse tempo, com nível de consistência que o trabalho manual dificilmente sustentaria em larga escala.
Mas para além disso, a IA está mudando também a natureza do trabalho jurídico, como, o que se espera do advogado, quais habilidades passam a ser centrais e onde o julgamento humano se torna insubstituível.
Conforme as etapas mais mecânicas da profissão são absorvidas por sistemas automatizados, o advogado é progressivamente deslocado para funções que exigem interpretação, estratégia e relacionamento: construir teses originais diante de casos sem precedente claro, conduzir negociações complexas, tomar decisões éticas em contextos ambíguos.
O Conselho Nacional de Justiça registrou um crescimento de 171% em projetos envolvendo IA no Judiciário desde 2021, com iniciativas voltadas à triagem automática de processos, análise documental e auxílio na redação de decisões.
Como a inteligência artificial pode auxiliar nas questões jurídicas?
A inteligência artificial auxilia nas questões jurídicas ao reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais, ampliar a capacidade de análise e dar mais clareza sobre o que exige atenção em uma rotina marcada por alto volume, prazos curtos e responsabilidade técnica.
O papel da inteligência é especialmente nos pontos onde a escala humana encontra seus limites. Veja abaixo algumas opções:
Agilização de procedimentos legais
Um escritório com dezenas de processos ativos não consegue acompanhar manualmente cada movimentação, prazo e intimação sem risco de falha.
A IA resolve isso ao automatizar a triagem de demandas, classificar processos por tipo e urgência, identificar prazos críticos e registrar andamentos assim que são publicados.
Análise de contratos
Em contextos de due diligence ou revisão de contratos corporativos, onde o volume de documentos pode chegar a centenas de páginas em prazos curtos, a análise manual é inviável sem perda de qualidade.
IA percorre esses documentos identificando cláusulas de responsabilidade, penalidades, obrigações, prazos e desvios em relação ao padrão contratual do escritório entregando um mapa de riscos que o advogado usa como ponto de partida para a análise estratégica, não como substituto dela.
Assistentes virtuais jurídicos
Assistentes como a Donna ajudam o escritório a consultar informações da operação, localizar dados, acompanhar tarefas, verificar movimentações e transformar perguntas do dia a dia em respostas úteis e contextualizadas. Quando conectados à rotina do escritório, esses assistentes deixam de ser ferramentas genéricas e passam a atuar como apoio direto à gestão jurídica.
Automação de tarefas rotineiras
Ferramentas como o Flowter transformam tarefas manuais e recorrentes em fluxos automáticos, de forma simples e sem necessidade de programação. A partir de gatilhos específicos, como a conclusão de uma tarefa ou a mudança de etapa de um processo, o sistema inicia automaticamente as próximas ações configuradas pela equipe.
A funcionalidade permite criar tarefas, definir responsáveis, controlar prazos, organizar etapas e garantir a continuidade dos acompanhamentos sem depender exclusivamente da memória ou da supervisão manual da equipe
Criação e padronização de documentos
A IA consegue gerar peças a partir de parâmetros fornecidos pelo advogado, já com fundamentação jurídica e estrutura adequadas ao tipo de demanda, como, petições em ações repetitivas, notificações extrajudiciais, minutas de contratos com estrutura predefinida.
Ferramentas como os Agentes de Peticionamento da ADVBOX conseguem organizar teses, estruturar argumentos e apresentar o rascunho para validação antes de gerar o documento final, mantendo o advogado no controle da qualidade técnica da peça.
Pesquisa jurídica avançada
Existem IAs em que o advogado descreve o problema em linguagem natural e recebe jurisprudências relevantes, com as fontes verificadas automaticamente na base de dados.
Usar um sistema confiável diminui o risco de citar precedentes inexistentes, um dos erros mais documentados no uso de inteligências genéricas para pesquisa jurídica e reduz drasticamente o tempo dedicado à etapa mais mecânica da fundamentação.
Predição de resultados judiciais
Ferramentas de jurimetria, combinam IA generativa com análise preditiva para estimar tendências decisórias com base no histórico de tribunais e magistrados. Esse tipo de recurso não oferece certeza sobre o resultado de um processo e qualquer uso que o trate dessa forma é tecnicamente equivocado.
O que ele oferece é contexto quantitativo para decisões estratégicas, como litigar ou negociar, recorrer ou aceitar um acordo, ajuizar em qual foro. Usado com esse critério, transforma dados históricos em vantagem estratégica concreta.
Quais são os benefícios da IA no Direito?
A adoção da inteligência artificial na prática jurídica gera um efeito encadeado de benefícios sobre o escritório. Quando bem implementada, a tecnologia atua em camadas: traz agilidade, reduz falhas, apoia decisões e permite ganho de escala.
É essa combinação que explica por que 91% dos advogados brasileiros que já utilizam IA relataram melhora na qualidade técnica do trabalho, segundo o Relatório sobre o Impacto da IA no Direito 2026, da OAB-SP. Confira abaixo como isso acontece:
Mais agilidade no trabalho jurídico
Tarefas como revisão de contratos, redação de petições e pesquisa jurisprudencial, quando feitas manualmente, consomem horas que poderiam ser direcionadas para o trabalho que de fato exige julgamento técnico.
No entanto, a IA comprime esse tempo de forma significativa ao assumir etapas como leitura inicial, organização de informações, identificação de padrões, sugestão de estruturas e localização de referências relevantes.
Assim, o advogado não parte mais do zero, e sim de uma base já organizada para revisar, ajustar e decidir com mais rapidez.
Redução de falhas operacionais
Boa parte dos erros que ocorrem em escritórios jurídicos não tem origem em falha técnica, mas em falha operacional. Como, por exemplo, um prazo que passou despercebido, uma intimação que não foi tratada a tempo ou um documento arquivado no lugar errado. São falhas que emergem do volume, da pressão e da dependência de processos manuais.
Por isso, a IA atua diretamente nesse ponto ao automatizar o monitoramento de prazos, a classificação de documentos e o acompanhamento de movimentações processuais, reduzindo a margem de erro que o trabalho humano, sob carga, inevitavelmente carrega.
Apoio à tomada de decisão
Boas decisões exigem informação organizada, contexto claro e tempo para pensar. Mas em uma rotina sobrecarregada, os três raramente estão disponíveis ao mesmo tempo.
A inteligência artificial contribui justamente ao organizar dados da operação, mapear padrões decisórios de tribunais e sintetizar informações dispersas em respostas diretas, ela reduz o esforço cognitivo necessário para chegar a uma decisão fundamentada.
Assim, a tecnologia permite que o advogado avalie, com base em dados históricos, se determinada tese tem chances reais de êxito em um tribunal específico, transformando a decisão de litigar ou negociar em uma escolha estratégica, e não apenas intuitiva.
Ganho de escala sem perder organização
Crescer na advocacia, historicamente, significava contratar mais pessoas. No entanto, a IA começou a mudar esse padrão.
Com automação de tarefas, geração assistida de documentos e sistemas de monitoramento integrados, um escritório consegue absorver mais clientes e processos sem que isso se traduza diretamente em colapso da organização interna.
Isso acontece porque IAs específicas para o Direito trabalham conectadas a elementos próprios da rotina jurídica, como processos, prazos, intimações, tarefas, modelos de documentos, áreas de atuação e padrões internos do escritório, permitindo escalar de forma organizada e padronizada.
Qual o impacto da inteligência artificial no universo jurídico?
O setor jurídico já vem sentindo, de forma intensa, os impactos da inteligência artificial em diferentes frentes: na advocacia consultiva, no contencioso, na experiência do cliente e na competitividade dos escritórios, por exemplo. Veja abaixo como acontece:
Impacto na advocacia consultiva
Na advocacia consultiva, o impacto aparece principalmente na análise de contratos, documentos empresariais, pareceres e políticas internas.
A IA pode ajudar a localizar cláusulas de risco, identificar obrigações mal distribuídas, apontar inconsistências entre documentos e sugerir ajustes de redação.
Em uma revisão contratual, por exemplo, ela pode destacar prazos de pagamento, multas, hipóteses de rescisão, cláusulas de confidencialidade, limites de responsabilidade e pontos que exigem negociação.
Impacto no contencioso
No contencioso de massa, como áreas trabalhista, previdenciário, consumidor, bancário. Triagem automática de documentos, peticionamento padronizado com variáveis processuais, classificação de probabilidade de êxito por vara e por juiz, monitoramento de andamentos sem intervenção humana.
O escritório que ainda faz isso manualmente com equipe de 10 pessoas compete com o escritório que faz com IA e 3 pessoas. Essa diferença está acontecendo agora.
Já no contencioso estratégico, societário, arbitragem, regulatório o impacto é diferente. A tencologia auxilia na análise de precedentes, na construção de linha argumentativa e na revisão de peças. Mas a variável decisiva continua sendo o raciocínio do advogado sobre fatos específicos.
Impacto na experiência do cliente
O cliente de advocacia hoje espera uma experiência semelhante à de outros serviços: informações acessíveis, atualizações rápidas e mais previsibilidade sobre o andamento do seu caso.
Quando ele liga para saber o andamento de um processo e espera retorno até o fim do dia, a experiência já falhou, independente da qualidade da peça que foi protocolada.
A IA permite que o cliente receba atualização automática de movimentação processual, acesse documentos em ambiente organizado, entenda o status do seu caso sem depender de uma ligação.
Impacto na competitividade dos escritórios
Escritórios com estrutura para integrar tecnologia, método e gestão ganham escala sem crescimento proporcional de custo. Mas, escritórios sem essa estrutura vão sentir pressão de margem antes de entender de onde ela vem.
Para o escritório individual e para a banca média, a IA representa uma janela de nivelamento. Um advogado com método, ferramentas certas e gestão de carteira pode entregar o que antes exigia uma equipe maior.
Quais são os riscos da inteligência artificial no Direito?
Usar IA na prática jurídica apresenta inúmeros benefícios, mas também envolve riscos que exigem atenção. O uso sem critério gera exposição, como alucinações em ferramentas de linguagem, descuido com dados confidenciais de clientes, uso sem critério pode gerar exposição, como alucinações em ferramentas de linguagem, descuido com dados confidenciais de clientes, dependência excessiva que compromete a formação do advogado e opacidade nos critérios de predição.
Esses são riscos concretos, não hipotéticos, que já produziram consequências disciplinares e processuais documentadas. Veja abaixo alguns desses riscos:
Alucinações e respostas imprecisas
Em 2023, o advogado Steven Schwartz citou precedentes em uma petição federal no caso Mata v. Avianca. Nenhum deles existia. O ChatGPT havia fabricado os casos com nomes de juízes reais, datas plausíveis e ementas coerentes. O juiz percebeu, Schwartz foi multado e respondeu a processo disciplinar.
O caso virou referência pública porque chegou ao tribunal. Mas erros do mesmo tipo que são detectados antes do protocolo não aparecem em nenhuma estatística. O risco de alucinação em ferramentas de linguagem genérica é estrutural: o modelo completa padrões linguísticos com fluência, e quando não encontra a informação correta, produz uma que parece correta.
Esse risco diminui de forma significativa quando se usa IA desenvolvida para o contexto jurídico, com base de dados indexada em fontes primárias verificadas e rastreabilidade de referência. Um sistema que busca em jurisprudência indexada entrega resultado diferente de uma que gera texto por probabilidade.
Mesmo assim, o uso de qualquer ferramenta não substitui a revisão do advogado. A responsabilidade técnica sobre o que vai assinado é do profissional, sem transferência possível para a tecnologia.
Uso de dados sensíveis e sigilo profissional
Quando um advogado cola um contrato confidencial, um laudo médico ou uma estratégia processual em uma ferramenta de IA pública, esse conteúdo passa a integrar o ambiente de processamento de um terceiro.
Dependendo dos termos de uso da plataforma, esse dado pode ser usado para treinamento do modelo ou acessado por outros usuários em condições específicas.
O sigilo profissional previsto no Estatuto da OAB não tem exceção para “uso de ferramenta digital”. O advogado que insere dados do cliente em plataforma de IA sem avaliar os termos de uso e sem consentimento explícito está atuando em zona de risco disciplinar.
Atualmente, já existem ferramentas desenvolvidas para atuar dentro do ambiente do próprio escritório, sem que os dados precisem sair para servidores externos. É o caso da Donna, que processa as informações do escritório em ambiente fechado, sem expor o conteúdo a bases de treinamento ou infraestrutura de terceiros.
Dependência excessiva da ferramenta
Um advogado experiente que usa IA continua sendo capaz de identificar quando a resposta está errada, incompleta ou inadequada ao contexto. Ele tem o repertório para questionar o que a ferramenta entrega porque construiu esse repertório antes de ela existir.
Por outro lado, um advogado em formação que delega raciocínio para a tecnologia desde o início do exercício profissional não desenvolve esse repertório. Ele aprende a revisar o que a máquina produziu, mas não aprende a construir o argumento do zero. Quando a ferramenta falha ou quando o caso exige raciocínio fora do padrão, ele não tem o que acionar.
Por isso a IA deve ser usada como apoio, com critério sobre quando acioná-la e quando não acioná-la. Para advogados recém-formados em especial, o uso irrestrito da ferramenta representa um risco de formação: a produtividade imediata aumenta, mas o desenvolvimento do raciocínio jurídico autônomo não acontece. E esse raciocínio é o que sustenta a carreira quando os casos saem do padrão.
Falta de transparência em resultados e critérios
Usar inteligência artificial para predição jurídica é um recurso útil quando bem compreendido e problemático quando usado sem essa compreensão.
O problema central é que a maioria dos advogados que utiliza essas ferramentas não sabe como a IA chega às conclusões que apresenta. Quais processos foram analisados. Qual o recorte temporal da base de dados.
Se algum padrão histórico de decisão foi reproduzido simplesmente por aparecer com frequência, incluindo padrões que o próprio Judiciário já superou. Se a ferramenta está atualizada com mudanças recentes de entendimento do STJ e do STF, que podem inverter completamente a leitura de uma tese.
O advogado que usa predição de IA como orientação de estratégia precisa entender o que está por trás do número. Se a ferramenta não explica os critérios, o profissional está tomando decisão estratégica com caixa-preta.
Conclusão
A inteligência artificial não vai desaparecer do Direito. O que muda, à medida que a adoção se consolida, é o critério que separa o uso que gera resultado do uso que gera risco.
Não se trata de uma tecnologia do futuro, mas de uma ferramenta já disponível que faz diferença concreta na rotina jurídica.
Desde que usada com responsabilidade a possibilidade é que a IA traga mudanças expressivas, especialmente em produtividade.
Para que isso aconteça, a escolha da ferramenta importa. A ADVBOX desenvolveu soluções específicas para diferentes situações do escritório, da gestão de intimações ao peticionamento, do acompanhamento processual à assistência operacional, que atuam com responsabilidade, segurança e dentro do ambiente do próprio escritório.
