Conhecer os tipos de honorários advocatícios é essencial para quem trabalha na advocacia, já que eles representam a remuneração pelos serviços prestados e podem surgir de contratos, decisões judiciais ou outras situações previstas na legislação.
Além de entender de onde cada honorário vem, o advogado precisa saber quanto cobrar, como formalizar o pagamento e quais limites éticos deve observar. Uma cobrança mal estruturada pode gerar inadimplência, conflitos com clientes e até problemas perante a OAB.
Neste artigo, você vai entender quais são os tipos de honorários advocatícios, como funcionam os percentuais de cobrança, quais critérios usar para definir os valores e como melhorar o controle financeiro do escritório.
O que são os honorários advocatícios?
Os honorários advocatícios são a remuneração devida ao advogado pelos serviços profissionais prestados. Eles podem resultar de um acordo com o cliente ou ser definidos pelo Poder Judiciário, dependendo da situação.
O direito aos honorários está previsto no Estatuto da Advocacia e da OAB. O artigo 22 reconhece expressamente os honorários convencionados, os fixados por arbitramento judicial e os de sucumbência.
Desde julho de 2026, o Estatuto também determina expressamente que os honorários decorrentes da prestação de serviços têm natureza alimentar, sejam eles convencionados, arbitrados judicialmente ou sucumbenciais.
Quem deve pagar os honorários do advogado?
Quem paga os honorários depende da modalidade envolvida. Nos honorários contratuais, normalmente é o próprio cliente que contratou o advogado e assumiu a obrigação prevista no contrato.
Já nos honorários de sucumbência, quem paga é, em regra, a parte vencida no processo ao advogado da parte vencedora. Existem ainda honorários arbitrados pelo Judiciário e situações específicas de honorários assistenciais.
Por isso, um mesmo processo pode gerar mais de uma verba honorária. O cliente pode pagar os honorários previstos no contrato enquanto o advogado também recebe os honorários sucumbenciais fixados judicialmente.
Qual é a diferença entre honorários advocatícios e sucumbenciais?
Honorários advocatícios é uma expressão ampla, utilizada para as diferentes formas de remuneração do advogado. Os honorários sucumbenciais são apenas uma dessas modalidades.
Os honorários contratuais surgem da relação entre advogado e cliente. Já os sucumbenciais decorrem da decisão judicial e, no processo civil, são pagos pela parte vencida ao advogado da parte vencedora.
O Código de Processo Civil (CPC) determina ainda que os honorários de sucumbência pertencem ao advogado e possuem natureza alimentar. Por isso, eles não devem ser confundidos com o valor que o cliente eventualmente receberá no processo.
Quais são os tipos de honorários advocatícios?
Os principais tipos de honorários advocatícios encontrados na rotina profissional são os contratuais, sucumbenciais, arbitrados e assistenciais.
Cada modalidade possui uma origem diferente. Entender essa distinção ajuda tanto na elaboração do contrato quanto no controle das receitas que o escritório espera receber. Veja mais detalhes a seguir.
Honorários contratuais
Os honorários contratuais são aqueles combinados diretamente entre o advogado e o cliente pela prestação de determinado serviço jurídico.
O contrato pode estabelecer, por exemplo, um valor fixo, cobrança por hora, mensalidade, parcelas vinculadas às etapas do trabalho ou um percentual relacionado ao resultado obtido.
A OAB recomenda que a contratação ocorra previamente e por escrito, com indicação do serviço, valor, forma de pagamento, reajustes e demais condições aplicáveis. A Tabela de Honorários da OAB também reforça essa orientação.
Honorários sucumbenciais
Os honorários sucumbenciais são aqueles fixados judicialmente em favor do advogado da parte vencedora e pagos pela parte vencida.
No processo civil, o artigo 85 do CPC estabelece que a sentença condenará o vencido ao pagamento dessa verba. A mesma legislação também prevê honorários em situações como cumprimento de sentença, execução e recursos.
Esses valores pertencem ao advogado e não substituem automaticamente os honorários contratuais. Por isso, o contrato deve deixar claro ao cliente como cada verba será tratada.
Honorários arbitrados
Os honorários arbitrados aparecem quando não existe estipulação válida ou acordo sobre a remuneração, tornando necessária a definição judicial do valor devido ao advogado. Nessa situação, o Judiciário considera o trabalho realizado e o valor econômico envolvido.
Desde 2022, o Estatuto da Advocacia também determina a observância das regras do artigo 85 do CPC aplicáveis ao arbitramento. Essa possibilidade protege o profissional nos casos em que houve prestação de serviço, mas não foi possível determinar a remuneração diretamente por contrato ou acordo entre as partes.
Honorários assistenciais
Os honorários assistenciais são aqueles fixados em ações coletivas propostas por entidades de classe em substituição processual, sem prejuízo dos honorários convencionais. A definição foi incorporada ao artigo 22 do Estatuto da Advocacia pela Lei nº 13.725/2018.
A norma também permite que entidades de classe celebrem contratos para atuação em substituição processual. Portanto, essa modalidade possui uma aplicação específica e não deve ser confundida com os honorários sucumbenciais normalmente encontrados nos processos individuais.
Como ficaram os honorários advocatícios no Novo CPC?
Com o Novo CPC, os honorários advocatícios passaram a ter regras mais detalhadas para cálculo, fixação e pagamento, especialmente no caso dos honorários de sucumbência.
O artigo 85 do Código de Processo Civil estabelece bases de cálculo, percentuais, regras específicas para processos envolvendo a Fazenda Pública e hipóteses de majoração dos honorários em grau recursal.
Essas regras aumentaram a previsibilidade na definição dos valores e reforçaram o direito do advogado ao recebimento da verba decorrente da sucumbência.
Quais são os limites dos honorários sucumbenciais?
Nos processos regidos pela regra geral do CPC, os honorários sucumbenciais devem ficar entre 10% e 20% sobre o valor da condenação, o proveito econômico obtido ou, quando não for possível mensurá-lo, o valor atualizado da causa.
Para definir o percentual, o juiz considera fatores como:
- Grau de zelo do profissional;
- Local onde o serviço foi prestado;
- Natureza e importância da causa;
- Trabalho realizado;
- Tempo necessário para o serviço.
Quando a Fazenda Pública integra o processo, o próprio CPC estabelece faixas percentuais específicas, aplicadas progressivamente conforme o valor da condenação ou do proveito econômico.
Quando os honorários são fixados por equidade?
A fixação por equidade é admitida quando o proveito econômico é inestimável ou irrisório ou quando o valor da causa é muito baixo.
O CPC passou a deixar expressamente claro que, quando a condenação, o proveito econômico ou o valor da causa for líquido ou puder ser calculado, a equidade não deve substituir os percentuais previstos em lei, salvo nas hipóteses específicas do § 8º do artigo 85.
O Superior Tribunal de Justiça consolidou o mesmo entendimento no Tema Repetitivo 1.076: valores elevados, por si só, não autorizam a redução dos honorários por equidade.
Como funciona o pagamento de honorários a um advogado?
O pagamento dos honorários advocatícios depende do tipo de serviço prestado e das condições estabelecidas no contrato. O advogado pode receber antes de iniciar o trabalho, durante a prestação do serviço ou após determinado evento previsto entre as partes.
Também é possível combinar diferentes formas de pagamento dentro do mesmo contrato. O escritório pode cobrar uma entrada, dividir o restante em parcelas e ainda prever honorários de êxito vinculados ao resultado obtido no processo.
O mais importante é que valores, vencimentos e condições estejam definidos com clareza desde o início da relação. Essa transparência reduz o risco de conflitos e facilita o controle financeiro tanto para o advogado quanto para o cliente.
Qual é o valor que o advogado pode cobrar?
Não existe um único valor que possa ser aplicado a todos os serviços jurídicos. A cobrança varia conforme a atividade realizada, a complexidade do caso, o tempo necessário para o trabalho e outros fatores relacionados à atuação profissional.
Cada Conselho Seccional da OAB possui sua própria tabela de honorários, que funciona como referência para a precificação. O documento apresenta valores mínimos ou percentuais indicados para diferentes tipos de serviços prestados pelo advogado.
Antes de apresentar uma proposta ao cliente, portanto, o profissional deve consultar a tabela vigente da OAB de sua região. Também é necessário analisar as características do caso para chegar a uma remuneração compatível com o trabalho exigido.
É correto um advogado cobrar 30%?
Sim, a cobrança de 30% pode ser válida, principalmente nos contratos que estabelecem honorários relacionados ao êxito da demanda. Esse percentual, porém, não deve ser adotado automaticamente em qualquer tipo de serviço jurídico.
O advogado precisa avaliar a tabela da OAB de sua seccional, a complexidade do trabalho e as condições específicas da contratação. Também devem ser respeitados os critérios de moderação e razoabilidade previstos pelas normas éticas da advocacia.
Em dezembro de 2025, o Conselho Federal da OAB esclareceu que contratos de êxito ou quota litis podem, excepcionalmente, chegar a até 50% do proveito econômico obtido pelo cliente, desde que sejam observados os requisitos aplicáveis.
É permitido cobrar 40% de honorários?
A cobrança de 40% não é automaticamente proibida, mas precisa ser analisada de acordo com as circunstâncias da contratação. O percentual deve estar relacionado ao serviço prestado e respeitar os parâmetros éticos aplicáveis aos honorários.
O entendimento atual do Conselho Federal da OAB admite, excepcionalmente, cláusulas de êxito de até 50% do proveito econômico. Para isso, a previsão deve constar expressamente em contrato escrito e respeitar os princípios de moderação e razoabilidade.
Além disso, a soma dos honorários contratuais com os sucumbenciais não pode superar a vantagem econômica obtida pelo cliente. Por isso, estar abaixo do limite de 50% não torna qualquer cobrança de 40% automaticamente adequada.
Como usar a tabela de honorários advocatícios da OAB?
A tabela da OAB deve ser usada como referência para definir uma remuneração compatível com o serviço prestado. Ela ajuda o profissional a evitar valores incompatíveis com a atividade realizada e oferece parâmetros para a elaboração da proposta.
O advogado deve consultar a tabela da seccional em que atua, localizar o serviço correspondente e verificar os valores ou percentuais indicados. A partir disso, pode considerar outros fatores relacionados à complexidade e às características específicas da demanda.
A Tabela de Honorários da OAB, por exemplo, apresenta valores mínimos e percentuais médios praticados pela classe. Esses parâmetros ajudam o profissional a estimar os honorários de acordo com a natureza e a complexidade do serviço.
Como calcular o valor dos honorários advocatícios?
Para calcular os honorários, o advogado deve considerar o trabalho necessário, os custos envolvidos e o valor profissional do serviço prestado. A precificação precisa garantir uma remuneração adequada sem ignorar as características concretas da demanda.
Cobrar apenas com base no valor da causa pode gerar distorções, já que processos semelhantes financeiramente podem exigir níveis muito diferentes de trabalho. Da mesma forma, considerar somente as horas gastas pode deixar de fora responsabilidade e conhecimento especializado.
Por isso, a formação do preço deve reunir diferentes critérios. A seguir, veja os principais fatores que podem ser considerados na hora de calcular os honorários advocatícios.
Complexidade e duração do serviço
Quanto mais complexo e demorado for o serviço, maior tende a ser o volume de trabalho necessário para executá-lo. Processos com muitos documentos, audiências, perícias ou recursos podem exigir acompanhamento constante durante vários meses ou anos.
O cálculo deve considerar tanto a duração estimada quanto a quantidade de atividades previstas ao longo do caso. Também é importante avaliar a possibilidade de surgirem etapas adicionais que exijam novas análises ou manifestações.
Custos do escritório
Os honorários precisam contribuir para cobrir os custos necessários à manutenção da estrutura utilizada para prestar o serviço. Cobrar sem considerar essas despesas pode comprometer a rentabilidade mesmo quando o escritório possui grande volume de clientes.
Salários, estrutura física, sistemas jurídicos, tributos, ferramentas de comunicação, marketing e outras despesas fazem parte dessa conta. Conhecer esses custos ajuda o advogado a definir um preço capaz de sustentar a operação.
Experiência e especialização
A experiência profissional e o conhecimento especializado também podem ser considerados na formação dos honorários. Um advogado com domínio aprofundado de determinada área pode oferecer uma atuação mais estratégica e adequada a situações complexas.
Esse conhecimento normalmente resulta de anos de prática, estudos, cursos e contato com demandas semelhantes. Por isso, a precificação não precisa refletir apenas o número de horas trabalhadas, mas também a qualificação envolvida na prestação do serviço.
Valor econômico da demanda
O valor econômico envolvido no caso é outro elemento que pode influenciar a definição dos honorários. Demandas capazes de gerar ganhos ou evitar prejuízos significativos para o cliente também podem envolver maior responsabilidade profissional.
Em contratos de êxito, esse critério fica ainda mais evidente, pois a remuneração pode corresponder a um percentual do resultado alcançado. Nesses casos, as condições precisam estar expressamente previstas no contrato e seguir as regras da OAB.
Quais são as formas de cobrar honorários advocatícios?
Os honorários advocatícios podem ser cobrados por valor fixo, hora trabalhada, etapa, percentual sobre o resultado ou pagamento recorrente. A escolha depende do tipo de serviço, da previsibilidade do trabalho e da relação estabelecida com o cliente.
Alguns modelos funcionam melhor para demandas pontuais, enquanto outros são mais adequados para serviços contínuos ou processos de longa duração. Também é possível combinar duas ou mais formas dentro de um mesmo contrato. Entenda melhor a seguir.
Valor fixo
No valor fixo, o escritório define previamente quanto o cliente deverá pagar por todo o serviço ou por uma atividade específica. O preço permanece previamente estabelecido, conforme o escopo definido no momento da contratação.
Esse modelo funciona melhor quando o advogado consegue prever com razoável segurança o trabalho necessário. Pode ser usado, por exemplo, em consultas, elaboração de contratos, pareceres ou outros serviços com etapas bem delimitadas.
Pagamento por hora
No pagamento por hora, o valor final é calculado conforme o tempo efetivamente dedicado ao serviço. Para isso, o advogado estabelece previamente quanto vale sua hora de trabalho e registra o período utilizado em cada atividade.
O formato pode ser útil em consultorias ou demandas nas quais não é possível prever antecipadamente a extensão do trabalho. Nesse caso, é importante manter registros claros para demonstrar ao cliente como o valor foi formado.
Pagamento por etapa
Nesse modelo, os honorários são divididos conforme as diferentes fases do serviço jurídico. Cada etapa possui um valor próprio e o pagamento ocorre à medida que o trabalho avança.
O contrato pode prever, por exemplo, valores diferentes para análise inicial, ajuizamento da ação, audiência e recurso. Essa divisão facilita o planejamento financeiro e relaciona cada cobrança a uma entrega específica.
Percentual sobre o resultado
No pagamento por resultado, o advogado recebe uma porcentagem do proveito econômico obtido pelo cliente. O percentual e o evento que caracteriza o êxito precisam estar claramente definidos no contrato.
Esse formato é comum em determinadas demandas judiciais, mas exige atenção às normas da OAB. A cobrança deve observar os critérios de moderação, razoabilidade e os limites aplicáveis aos contratos de êxito.
Pagamento recorrente
No pagamento recorrente, o cliente paga um valor mensal ou em outra periodicidade previamente definida para manter determinado serviço jurídico. O modelo costuma ser utilizado quando existe uma necessidade contínua de acompanhamento.
É comum em assessorias e consultorias prestadas a empresas ou clientes que demandam atendimento frequente. Nesse formato, o contrato deve delimitar quais atividades estão incluídas e quais poderão gerar cobranças adicionais.
Quantas parcelas o advogado pode cobrar?
Não existe uma quantidade única de parcelas definida para todos os contratos de honorários advocatícios. O número pode ser negociado entre advogado e cliente conforme o valor do serviço e as condições acordadas na contratação.
O contrato deve registrar com clareza a quantidade de parcelas, os respectivos vencimentos, os valores e as formas de pagamento disponíveis. Também é possível definir antecipadamente como serão tratados eventuais atrasos ou inadimplência.
Um parcelamento bem estruturado pode facilitar o pagamento para o cliente sem prejudicar a previsibilidade financeira do escritório. Para isso, o advogado precisa acompanhar os vencimentos e manter os recebimentos devidamente organizados.
Como fazer a cobrança dos honorários de advogado?
A cobrança dos honorários de advogado deve começar com um contrato claro, condições de pagamento bem definidas e acompanhamento dos valores em aberto. Dessa forma, o escritório reduz o risco de inadimplência e evita dúvidas sobre o que foi combinado com o cliente.
Além de definir quanto e quando será pago, é importante organizar os vencimentos e manter um histórico das cobranças realizadas. Se o pagamento não ocorrer, o advogado pode recorrer a medidas administrativas ou judiciais para receber os valores devidos.Saiba mais detalhes nos tópicos seguintes.
1. Elabore um contrato de honorários
O primeiro passo é formalizar por escrito o serviço que será prestado e as condições da contratação. O documento deve informar o valor dos honorários, a forma de pagamento, os vencimentos e quais atividades estão incluídas no serviço contratado.
Também podem ser previstas condições para honorários de êxito, despesas adicionais, atrasos no pagamento e encerramento antecipado da relação profissional. Quanto mais claras forem essas regras, menor será a possibilidade de conflito posteriormente.
Além de organizar a relação com o cliente, o contrato escrito possui força jurídica relevante. O Estatuto da Advocacia estabelece que o contrato que estipula honorários constitui título executivo, permitindo sua cobrança judicial quando os requisitos legais estiverem presentes.
2. Ofereça alternativas de pagamento
Disponibilizar diferentes formas de pagamento pode facilitar o recebimento dos honorários e tornar a contratação mais acessível ao cliente. Pix, boleto, cartão e parcelamento são algumas possibilidades que podem fazer parte da estratégia do escritório.
A escolha deve considerar o valor do serviço, os custos da operação e a capacidade financeira do cliente. Em contratos de maior duração, por exemplo, dividir o pagamento ao longo das etapas pode reduzir o risco de concentração da cobrança no final.
Independentemente da modalidade escolhida, todas as condições devem constar no contrato. O escritório também precisa registrar os pagamentos recebidos para acompanhar parcelas quitadas, valores pendentes e próximos vencimentos.
3. Mantenha contato com os clientes
A comunicação com o cliente também faz parte de uma cobrança eficiente. Lembretes enviados antes do vencimento podem evitar atrasos causados por esquecimento e permitem que possíveis dificuldades sejam identificadas rapidamente.
Caso uma parcela vença sem pagamento, o contato deve ser objetivo e profissional, informando o valor pendente, a data original de vencimento e as opções disponíveis para regularização. Isso ajuda a preservar a relação sem deixar a dívida sem acompanhamento.
O ideal é que essas interações também fiquem registradas no controle do escritório. Assim, a equipe consegue saber quais clientes foram contatados, quais negociações estão em andamento e quais valores ainda precisam ser cobrados.
4. Recorra à cobrança profissional ou judicial
Quando os contatos e as tentativas de negociação não resultarem no pagamento, o escritório pode avaliar medidas mais formais de cobrança. A estratégia adequada dependerá do contrato firmado, do valor devido e das circunstâncias de cada caso.
Antes de judicializar a dívida, pode ser útil realizar uma cobrança formal ou buscar uma negociação documentada com o cliente. Essa etapa pode permitir a regularização do débito sem os custos e o tempo envolvidos em um processo judicial.
Se ainda assim não houver pagamento, o contrato escrito de honorários pode servir como título executivo, conforme o Estatuto da Advocacia. O advogado poderá avaliar a execução do crédito e outras medidas juridicamente cabíveis para receber a remuneração pelo serviço prestado.
Tem que pagar o advogado antes ou depois?
O momento do pagamento depende do que foi estabelecido no contrato. Não existe uma regra geral determinando que todo advogado receba exclusivamente antes ou depois do processo.
Uma entrada pode ser exigida antes do início dos trabalhos, enquanto outras parcelas podem vencer durante a prestação do serviço. Honorários de êxito, por sua própria natureza, normalmente estão ligados ao resultado definido pelas partes.
Por isso, as condições precisam estar registradas de maneira objetiva para evitar interpretações diferentes durante a relação profissional.
Quem recebe primeiro: o cliente ou o advogado?
Não existe uma regra única segundo a qual o advogado sempre precisa receber antes do cliente em qualquer situação.
O procedimento depende da origem do dinheiro, do contrato de honorários, da decisão judicial e da forma utilizada para o levantamento dos valores.
Os honorários de sucumbência pertencem diretamente ao advogado. Já em relação aos honorários contratuais, é necessário observar o que foi pactuado e as regras aplicáveis à liberação ou ao destaque da verba.
O advogado pode descontar os honorários do valor recebido?
Sim, em determinadas situações é possível separar ou descontar os honorários contratuais dos valores pertencentes ao cliente, desde que exista base contratual e sejam observadas as regras aplicáveis ao caso.
O Estatuto da Advocacia permite, por exemplo, que o advogado apresente o contrato de honorários antes da expedição do mandado de levantamento ou precatório para que o juiz determine o pagamento direto da verba contratada, salvo se o cliente comprovar que já efetuou o pagamento.
A prestação de contas continua sendo indispensável. O profissional deve demonstrar claramente qual valor pertence ao cliente, qual corresponde aos honorários e quais outros descontos eventualmente ocorreram.
Qual é o prazo de prescrição dos honorários advocatícios?
A ação de cobrança de honorários advocatícios prescreve em cinco anos. O artigo 25 do Estatuto da Advocacia determina que o início dessa contagem varia conforme a situação. O prazo pode começar:
- No vencimento do contrato;
- No trânsito em julgado da decisão que fixou os honorários;
- Na conclusão do serviço extrajudicial;
- Na desistência ou transação;
- Na renúncia ou revogação do mandato.
O prazo também é de cinco anos para a ação de prestação de contas relativa às quantias recebidas pelo advogado de seu cliente ou de terceiros por conta dele.
Como as IAs da ADVBOX podem ajudar na gestão financeira do escritório
A gestão financeira de um escritório de advocacia envolve controle de honorários, acompanhamento de inadimplência, previsão de receita e tomada de decisão sobre investimentos e custos operacionais.
Quando essas informações estão dispersas em planilhas e sistemas separados, o gestor perde tempo consolidando dados que deveriam estar disponíveis em segundos. Veja abaixo de que forma a Inteligência Artificial pode ajudar:
Donna
A Donna acessa os dados financeiros do escritório diretamente na ADVBOX e responde perguntas em linguagem natural, sem necessidade de exportar relatórios ou cruzar informações manualmente. Alguns exemplos de consultas:
- “Qual é o total de honorários em aberto este mês?”
- “Quais clientes estão com pagamento atrasado?”
- “Qual foi a receita do escritório nos últimos 30 dias?”
- “Quais processos têm honorários de êxito pendentes de lançamento?”
Flowter
Para rotinas financeiras recorrentes, o Flowter automatiza as etapas previsíveis. Quando uma tarefa relacionada a um pagamento é concluída ou uma etapa do processo muda, o Flowter pode criar automaticamente a próxima ação, como um lembrete de cobrança, uma tarefa de lançamento de honorários ou um alerta de vencimento, sem depender de alguém lembrando o que vem a seguir.
HonoráriosPay
O HonoráriosPay é um sistema financeiro para escritórios de advocacia que se conecta ao software jurídico ADVBOX. Clientes, processos, categorias e centros de custo vêm da plataforma, e tudo o que é tratado no HonoráriosPay é sincronizado de volta.
O sistema parte de um princípio: custódia não é receita. Parte do dinheiro que entra na conta do escritório pertence a clientes e parceiros, como a parcela do cliente em um alvará ou o valor devido a um parceiro. O HonoráriosPay registra esses valores como saldo em custódia, separado do faturamento.
Cada recebimento pode ser dividido automaticamente entre honorário, valor do cliente e valor dos parceiros, considerando alíquotas de impostos e prazos de repasse. As partes de terceiros se tornam repasses a pagar, acompanhados até a quitação.
A conciliação bancária funciona por Open Finance ou importação de extrato OFX. O sistema sugere correspondências entre o extrato e os lançamentos e concilia automaticamente quando a correspondência é alta. Registros conciliados ficam protegidos contra alterações. A emissão de NFSe é feita pelo próprio sistema, com certificado digital A1.
Com isso, o escritório acompanha o caminho do dinheiro do recebimento ao repasse e reduz a dependência de planilhas paralelas para separar o que é seu e o que pertence a terceiros.
Conclusão
Conhecer os tipos de honorários advocatícios é fundamental para definir uma remuneração adequada e evitar conflitos com os clientes. Contratuais, sucumbenciais, arbitrados e assistenciais possuem regras próprias que precisam ser consideradas na rotina do escritório.
Além de saber quanto cobrar, o advogado deve estruturar contratos claros, escolher formas de pagamento adequadas e acompanhar vencimentos e valores recebidos. Esse cuidado transforma os honorários em uma receita mais previsível e facilita o planejamento financeiro do negócio.
À medida que a carteira de clientes cresce, porém, controlar contratos, cobranças, parcelas e repasses manualmente pode se tornar um desafio. É nesse ponto que a tecnologia pode ajudar a organizar o financeiro sem exigir que a equipe dependa de planilhas e controles paralelos.
Com a ADVBOX, o escritório pode integrar a gestão dos honorários à rotina jurídica e contar com recursos como Donna, Flowter e HonoráriosPay.
Conheça a ADVBOX e transforme a cobrança dos honorários em um processo mais organizado, automatizado e conectado à gestão do escritório.
